No fim dos anos 1990, a Volkswagen se encontrava em uma crise existencial. Afinal, seu modelo menor e mais barato, o Polo, já era grande demais para encarar os novos modelos de entrada das rivais europeias. Modelos como Peugeot 106, Citroën Saxo, Fiat Cinquecento, Ford Ka e Renault Twingo eram menores e mais baratos que o Polo, fazendo com que a Volkswagen não disputasse este segmento que cresceu vertiginosamente com o passar dos anos.

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Para falar do Lupo, temos antes que voltar um pouco mais no tempo: Em 1997 a Seat lançou o Arosa, um inédito subcompacto com estilo simpático e boas soluções de espaço interno. Ele contava com apenas 3,5 metros de comprimento, 1,6 metros de comprimento e apenas 1,4 metros de altura. Ele era construído na exclusiva plataforma A00, uma versão encurtada da plataforma A03 usada no Polo de terceira geração e no Seat Ibiza de segunda.

Com apenas um ano de mercado, a Volkswagen queria ter um clone do Seat Arosa para chamar de seu. Algumas mudanças de estilo alí, um interior mais moderno acolá e o batizou de Lupo. Uma das características de estilo mais marcantes do Lupo eram seus faróis duplos, ao estilo do Mercedes-Benz Classe E da época. Observe bem: o estilo da dianteira foi praticamente replicado no Polo de quarta geração.

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A traseira mantinha as mesmas lanternas do Seat Arosa, que eram bem parecidas com as usadas n0 Gol e na Parati da época. O para-choque, contudo, tinha linhas mais lisas. Destaque para a maçaneta do porta-malas idêntica à usada no Gol G3. Por dentro, o Lupo se destacava pelo estilo moderno e pelas soluções pragmáticas. Os comandos do ar-condicionado e dos vidros ficava na parte baixa do console central, enquanto a parte superior trazia porta-copos retráteis, saídas de ar e comandos do sistema de som.

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O volante, assim como as hastes e a manopla de câmbio, vinham diretamente do Golf, enquanto o quadro de instrumentos, tempos depois, viria a ser adotado na reestilização do Polo Classic. Era um carro que levava à sério o conceito de compacto, pois o banco traseiro, que quase encostava na parte interna na tampa do porta-malas, acomodava apenas dois adultos. As laterais foram aproveitadas para abrigar porta-objetos, como no primeiro Ford Ka.

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Inicialmente, a gama de motores do Volkswagen Lupo incluía o 1.0 8v de 50 cv e um 1.4 8v com 60 cv, ambos a gasolina e de quatro cilindros. A opção a diesel era um 1.7 de 60 cv. Em 1999, a Volkswagen lançou o Lupo 3L, o primeiro carro de produção a rodar 100 km com 3 litros de gasolina (ou 33,4 km/l). E pensar que 15 anos depois a Volks possui um carro que faz 100 km com um litro de gasolina, o XL1. O Lupo 3L era equipado com um inédito motor 1.2 turbo movido a diesel de apenas 61 cv, associado a uma transmissão automatizada (avó do câmbo i-Motion) de cinco marchas e sistema star/stop.

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Além do novo motor e das modificações mecânicas, a Volkswagen tratou de melhorar alguns aspectos dinâmicos do Lupo 3L para torna-lo mais eficiente: nascia aí a fórmula para as versões Bluemotion. Ele contava com pneus de baixa resistência, troca de alguns painéis de aço por painéis de alumínio, reduzindo o peso de 975 kg para míseros 830 kg. A aerodinâmica também foi melhorada, graças a mudança nos para-choques, que tiveram suas entradas de ar reduzidas, enquanto a grade frontal ficou mais fechada, levando à mudanças também nas luzes de indicação.

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Ele contava com um modo ECO, que limitava a potência a apenas 42 cv e reprogramava a transmissão para trocar as marchas da maneira mais econômica possível. Quando ele se encontrava em decidas ou no plano em velocidade constante, o câmbio era desengatado e o acelerador era desativado algumas vezes. Até mesmo a suspensão e as rodas eram feitas em alumínio, em nome da redução de peso. Porém ele não estava sozinho, pouco tempo depois a Volkswagen apresentou o Lupo FSI, que trazia todas as inovações do Lupo 3L, porém com motor 1.2 turbo a gasolina. Neste caso, seu consumo subia um pouco, indo para 5 litros a cada 100 km, ou 20 km/l.

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A Volkswagen já tinha as versões regulares do Lupo para brigar com seus concorrentes diretos e, de quebra, uma versão ecologicamente correta para deixar os postos de combustíveis com saudades. Mas o ainda faltava? Uma versão GTI, obviamente. Por isso, em 2000, a fabricante alemã apresentou o Lupo GTI, que prometia honrar a sigla. A marca o exaltava como o vendeiro sucessor do Golf GTI de primeira geração, ou seja, era pequeno, leve e rápido.

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Ele contava com um motor 1.6 DOCH 16V quatro cilindros aspirado de 125 cv associado a uma transmissão manual de seis marchas. O Lupo GTI era capaz de chegar a 204 km/h e atravessar a barreira dos 100 km/h em 7,8 segundos. Pode não parecer muito para um esportivo, mas era suficientemente divertido para o tamanho do carro. Ele contava também com mudanças na suspensão e chassi levemente mais rígido. A carroceria usava aço como nas versões normais do Lupo.

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O visual também era um grande chamariz do Lupo GTI, ele contava com faróis principais em xenon, enquanto os secundários ficavam um pouco maiores. O para-choque exibia novas e maiores entradas de ar e tinha sua parte interior pintada. Saias laterais e novas rodas de liga-leve aro 15 completavam o visual. Na traseira, o destaque ficava para a saída central dupla de escapamento, acompanhada de para-choque totalmente pintado e aerofólio. Por fim, o interior exibia cintos vermelhos, volante esportivo e bancos com abas pronunciadas.

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Em 2005, o Lupo se despediu do mercado europeu. Mas a Volkswagen não ficou sem um representante abaixo do Polo no velho continente. Para preencher a lacuna, eles começaram a vender o Fox, sim, o nosso Volkswagen Fox. Ele era importado diretamente do Brasil com algumas melhorias que chegaram aqui apenas na primeira reestilização do modelo. Ele contava com motor 1.4 e, por conta de seu porte maior e do acabamento ruim, não fez muito sucesso. Apesar disso, durou de 2005 a 2009.

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O verdadeiro sucessor do Lupo surgiu em 2007 em forma de conceito, era o Up. Nessa época, a Volkswagen havia decidido que seus conceitos teriam parte do nome do modelo de produção, foi assim com o Iroc que deu origem ao Scirocco e ao up! que daria origem ao novo Lupo. Porém, o nome acabou pegando e, em 2011, a Volkswagen lançou oficialmente o seu novo subcompacto como Up. Ele ganhou uma versão aventureira e uma elétrica, em 2013. Chegou ao Brasil em 2014 e agora, em 2015, ganhou motor turbinado. O Up também deu origem aos irmãos Skoda Citigo e Seat Mii, o sucessor do Seat Arosa.