Taxado como carro extremamente feminino em sua primeira geração no Brasil, o Nissan March agradou. Suas vendas só não foram maiores por culpa do restrito limite de importação de carros fabricados no México. Agora, feito no Brasil e com visual retocado, o novo March volta prometendo fazer barulho no segmento. Vale ressaltar que o modelo antigo permanece em linha importado do México e apenas com motorização 1.0, enquanto o novo, nacional, pode ser equipado (além do 1.0) com um propulsor 1.6.

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O mercado mudou e o novo March acompanhou. Chamado pela montadora de New March, o compacto japonês está mais masculino. O visual “fofinho” e um tanto insosso deu lugar à uma nova frente agressiva, com faróis em estilo bumerangue e grade superior circundando o logotipo da Nissan, elementos que fazem parte da nova identidade visual da montadora. O para-choque também está mais volumoso, destacando o “bocão” e os faróis de neblina, que surgem como um rasgo na peça.

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A traseira recebeu poucas mudanças que, mesmo assim, surtiram efeito. As lanternas estão mais harmônicas e o para-choque recebeu novos vincos. Estes artifícios fazem com que o novo March perca a aparência de carro básico que o modelo anterior tinha, mesmo nas versões mais completas. Agora, cada versão conta com diferencias estilísticos evidentes, valorizando a aparência do carro.

Internamente o ganho foi ainda maior: o painel perdeu a aparência “baby da Família Dinossauro” em favor de um console mais elegante, com frisos cinza até nas versões mais simples. Para a topo de linha SL, o destaque fica para o acabamento black piano e o ar-condicionado digital, fazendo do modelo o único na categoria com este item (o que foi evidenciado diversas vezes pelos vendedores). O grande porém fica por conta da ausência de tecido na porta traseira, apesar de existir um espaço destinado a isso. O conforto do banco na parte de trás também não é dos melhores, assim como a fixação do mesmo, que fica solto nas laterais.

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A central multimídia presente apenas na versão topo SL chama a atenção. Ela é equipada com câmera de ré, rádio, GPS e até acesso às redes sociais através da conexão com o celular. Porém a resposta ao toque se mostrou insuficiente, principalmente nos cantos, problema que distrai o motorista em situações de acesso rápido.

E não é que o 1.0 é espertinho?

Ao volante, o novo March surpreende positivamente. A visão é privilegiada por conta dos vidros grandes, e a posição ideal para dirigir é facilmente encontrada por conta dos diversos ajustes. A direção elétrica progressiva é de série, facilitando o trabalho nas manobras, ao passo que mostra boa firmeza ao dirigir. O câmbio de engates curtos mostra que o pequeno Nissan também quer agradar a quem gosta de dirigir.

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Ambas as motorizações foram testadas, 1.0 16V de 74 cv e 1.6 16V de 111 cv de potência. O motor de menor cilindrada tem vivacidade surpreendente para um carro 1.0: as saídas são rápidas e a velocidade sobe sem dificuldades, dando a nítida impressão de não se tratar de um carro “mil”. Tal esperteza ao rodar se deve também ao baixo peso do compacto.

Respondendo à altura, o motor 1.6 deixa o novo March um verdadeiro “foguetinho de bolso”. O propulsor responde bem no trajeto urbano, ganhando outra personalidade quando atinge 3.000 rpm. Nesse situação, ele a encher mais rápido e o pequenino se torna arisco (que tal uma versão Nismo para o Brasil, Nissan?).

Carro de entrada, atendimento de primeira

Após a decepção com o atendimento das concessionárias Honda, a impressão de que o famoso padrão de atendimento das montadoras nipônicas pudesse não se repetir novamente era algo que rondava esse Visão do Consumidor. Ainda assim, a Nissan provou que mesmo se tratando de um modelo de entrada como o novo March, o atendimento não deve ser diferente de quem busca um Sentra ou até mesmo o sedã topo de linha Altima. Duas concessionárias foram visitadas na cidade de Campinas, interior de São Paulo: a Nissan Caiuás e a Nissan Concorde.

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Ambas as concessionárias mantiveram o mesmo padrão e simpatia das recepcionistas, com o pré-cadastro para o direcionamento ao vendedor. O atendimento se manteve no mesmo patamar nos dois locais, apenas com um destaque a mais para o vendedor da Caiuás, pela maior vontade de fechar o negócio e carisma, incluindo um contato após deixar a concessionária.

Todos os detalhes questionados e a apresentação do carro merecem destaque para as duas autorizadas pelo amplo conhecimento dos vendedores sobre o produto. Adotando a mesma estratégia, os dois vendedores a todo momento ressaltavam o preço de compra do novo March e seus opcionais perante a concorrência. Além disso, a fabricação do modelo no Brasil foi levantada como um dos trunfos do hatch.

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Por ser um modelo recém-lançado, a negociação não poderia ser diferente: os preços são tabelados e não há chance para descontos. Por conta disso, na hora da negociação os valores das versões e preço das revisões foram a pauta.

O test-drive, parte importante na hora de fechar a compra de um novo carro, foi feito de maneira diferente em cada concessionária: a Concorde ofereceu um New March 1.6 SL, enquanto a Caiuás dispunha da versão 1.0 SV. O circuito usado pela Concorde contava com uma subida íngreme, ótima para testar a disposição do motor. Além disso, o trecho contava com avenidas de transito rápido (que, especialmente no dia do teste, estavam totalmente paradas por conta das seleções que visitam a cidade) e ruas esburacadas. Já o test-drive oferecido pela Caiuás dispunha de ruas largas e de pouco movimento, permitindo explorar mais o rendimento do New March.

A Nissan provou que mudanças podem trazer um resultado muito positivo para um modelo com a clara evolução vista no novo March. Aliado a isso, o bom atendimento das concessionárias mostra que a montadora nipônica não está no Brasil apenas para brincadeira.

Infográfico-Avaliação-New-March

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