O Renault Sandero mostrou sua competência no mercado e conquistou um bom público fiel ao modelo. Diferentemente da grande maioria dos automóveis, as vendas do hatch foram aumentando com o passar do tempo. A primeira geração mostrou que a Renault brasileira conseguiu fazer um hatch bonito apesar de ser baseado no “feioso” Logan. Aliado a isso, o interior espaçoso contava com acabamento pobre e erros de posicionamento de equipamentos como o controle dos retrovisores elétricos abaixo da alavanca do freio de mão e dos vidros elétricos no centro do painel.

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Evoluções foram notadas na primeira e única reestilização, mas nada que sanasse os defeitos do projeto. Com a segunda geração a Renault manteve as boas características do Sandero, como espaço interno generoso e preço convidativo, porém, desta vez corrigiu os defeitos e deu uma aparência muito melhor a ele. Por fora, o hatch perdeu sua independência em relação ao Logan, apesar desta característica não ser negativa, visto que o sedã agora é um dos mais belos do segmento. A frente agora é a mesma, a única exceção se dá por conta do desenho diferenciado da grade inferior: em colmeia no Sandero e com frisos horizontais no Logan.

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O compacto grandalhão da Renault perdeu a aparência de carro simples com os novos faróis de dupla parábola e máscara negra, aliados a grade frontal que destaca o emblema gigantesco da montadora francesa. Diferente do que ocorria antes, agora as versões se diferenciam melhor visualmente: no caso da topo de linha Dynamique há repetidores de seta no retrovisor e acabamento cromado emoldurando o farol de milha, enquanto a básica Authentique perde até mesmo os cromados da grade. 

A traseira mantem o estilo semelhante ao irmão Logan. As lanternas possuem desenho levemente inspirado no Citroën DS3 e Mercedes-Benz Classe A. Antes posicionadas entre a coluna e a tampa do porta-malas, as lanternas traseiras estão mais baixas e invadem mais a lateral. Para não deixar o desenho da traseira caído, a Renault investiu num novo recorte arredondado do vidro. O conjunto de emblema, nome “Sandero” e o miolo para a abertura do porta-malas pela chave deixou uma aparência carregada. A montadora poderia ter removido o último recurso, já que o modelo conta com abertura interna da tampa.

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Contudo, o interior é o responsável pela maior evolução do Sandero. Assim como ocorreu com o New March, a Renault caprichou por dentro e solucionou os problemas do carro. O painel agora é mais elevado, deixando as saídas de ar na parte mais alta, privilegiando a circulação na cabine. No conjunto, o rádio, ou central multimídia opcional, não ficam mais à frente do câmbio e inclinados para baixo, sendo que o acesso aos equipamentos foi facilitado com a realocação mais alta. O controle elétrico dos retrovisores agora está do lado da porta do motorista e o modelo também ganhou sistema de abertura interno do tanque e do porta-malas. Apesar de não ser o ideal, os controles dos vidros elétricos traseiros ficam localizados no console, sendo o único porém desta evolução.

Visualmente o hatch está muito melhor, assim como os materiais empregados, mostrando que o Sandero realmente evoluiu onde era necessário. O volante de grandes proporções foi substituído por um conjunto mais elegante e com empunhadura muito melhor. A ausência de comandos de som no volante é notada, ainda mais pelo fato dos concorrentes contarem com este item. Para comandar o som, a marca insiste em um periférico na parte de trás do volante, menos intuitivo e mais difícil de ser utilizado. Ar-condicionado digital, exclusividade do New March até então na categoria, também está disponível para o hatch da Renault. Eficiente, ele gela rápido e não é barulhento. 

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Câmbio com muitas vibrações

O Sandero sempre foi conhecido pela sua posição mais alta para dirigir, o que agrada grande parte das mulheres, mas pode incomodar aos motoristas que preferem o banco mais próximo ao chão e um estilo mais esportivo de condução. As regulagens foram melhoradas e encontrar a posição correta não é difícil. O motor 1.6 é justo, não se mostra anêmico, mas não garante surpresas com um comportamento mais arisco. Com o isolamento acústico melhorado, o barulho não invade tanto a cabine.

O Sandero é um carro de condução pacata e confortável, com destaque para a suspensão macia que absorve bem os impactos. O volante de boa empunhadura tem acerto mais firme, formando um ótimo conjunto. Na unidade usada para o test-drive ele apresentou um câmbio oscilante, com vibração excessiva, gerando desconforto, aparentando até mesmo possuir algum defeito.

É interessante notar que a Renault dispõe de um sistema de luzes no painel que alerta o motorista sobre a melhor hora para a troca de marcha, ascendente ou descendente. Inteligente, ele não é baseado apenas nas rotações, mas também no relevo em que o carro se encontra, não indicando uma marcha mais elevada em uma subida, por exemplo. Com a central multimídia Media Nav, o Sandero mostra uma divertida pontuação ecológica baseada na condução do motorista, incentivando-o a diminuir o consumo com mudanças no modo de condução.

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Mas não tinha test-drive?

Por conta do recente lançamento, diversas concessionárias pesquisadas não contavam com unidades do Sandero para test-drive. Em um caso mais grave, uma revenda nem ao menos possuía o modelo em exposição. Pertencentes ao mesmo grupo, as concessionárias Valec Valinhos e Valec Campinas eram as únicas com unidades que prometiam o Sandero em exposição e para o teste, em tese.

A contradição também faz parte das duas concessionárias, enquanto a unidade de Campinas é grande e ampla, abrigando até mesmo a linha de comerciais PRO+ (Master e Kangoo), a concessionária de Valinhos é pequena e sem espaço até para semi-novos. Apesar disso, ambas são claras e possuem uma arquitetura comum e padrão da Renault, com pequenos toques de “feirão improvisado” na maior.

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Como se tornou praxe, as recepcionistas sempre direcionam o comprador a um vendedor para mostrar o produto, porém na Valec Valinhos a história foi um pouco diferente. A recepcionista tentou fazer a função de um vendedor, porém apenas iniciou o atendimento com informações de preço. O vendedor foi chamado apenas no momento em que o test-drive foi requisitado. Já na unidade de Campinas o atendimento ocorreu normalmente, porém com um vendedor apático e com pouca vontade de realizar a venda, o que contrastava com o prêmio de “melhor vendedor do mês” em destaque na sua mesa.

Os dois vendedores cometeram o mesmo erro ao citar a categoria do Sandero, apesar do tamanho generoso ele é um compacto, porém foi classificado como um “hatch médio”. Fosse isso verdade, ele faria parte de um segmento bem superior e que conta com modelos como Volkswagen Golf, Ford Focus e Chevrolet Cruze Sport6, seara na qual a Renault não possui representantes. Outras imprecisões ficaram por conta da alegação de que o sistema multimídia Media Nav opcional era o responsável pelo preço elevado da versão anunciada na Valec Campinas. A Valec Valinhos por sua vez afirma que o câmbio automatizado de embreagem única Easy-R, que estreará em breve no Sandero e Logan, era o mesmo componente usado por Mercedes-Benz, BMW e Audi.

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A negociação em ambos os casos não foi animadora, sendo adicionado um sobrepreço de 5% para todas as versões da nova geração do hatch, independentemente da condição de compra e sem condições de qualquer tipo de abatimento. A Valec de Valinhos afirma que este procedimento é regra da matriz nacional, enquanto a Valec Campinas se nega a admitir o acréscimo no preço, alegando ser o valor de tabela do carro. Com desempenho geral abaixo da média, se equiparando à experiência com o Honda Fit, a única salvação da rede Renault foi o test-drive oferecido pela Valec Valinhos: o circuito era totalmente livre, deixando o trajeto à escolha do condutor.

A evolução gigantesca do Sandero foi notável, porém as concessionárias consultadas não conseguiram acompanhar. Imprecisão de informações, preço inflacionado e a falta do atendimento básico (onde apenas o carro é mostrado pelo vendedor)  foram os maiores problemas e, certamente, não incentivariam um potencial cliente a fechar negócio.

Infográfico-Avaliação-Renault-Sandero

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