Ele nasceu como um carro de nicho, com desenho exótico e proposta totalmente urbana. Evoluiu para um hatch compacto na segunda geração brasileira e assumiu seu papel de modelo de entrada da Ford, com desenho mais contido e maior espaço interno, enquanto na Europa passou a ser um derivado do Fiat 500 com desenho de New Fiesta em miniatura. Agora em sua terceira geração, o Ford Ka volta a ser um projeto global e tem o Brasil como seu berço de desenvolvimento.

– Siga o AUTOPOLIS no Facebook
– Leia mais notícias sobre a Ford

Substituindo o Fiesta Rocam, o novo compacto global da Ford tem a difícil tarefa de se destacar no mais concorrido segmento do mercado nacional, ao mesmo tempo em que pretende se tornar o modelo mais vendido da montadora do oval azul. Predicados para isso ele tem, resta saber como o mercado reagirá à nova estratégia da Ford ao vender o modelo totalmente completo, sem opcionais e com preço, aparentemente, maior em relação aos concorrentes.

Ford Ka 1

O preço inicial é realmente mais alto do que o dos concorrentes diretos, porém o novo Ka vem completo de fábrica: desde a versão de entrada SE, tanto hatch quanto sedã (Ka+) contam com ar-condicionado, direção elétrica, vidros elétricos na dianteira, travas elétricas com travamento na chave canivete (de melhor qualidade do que a encontrada nos irmãos New Fiesta e EcoSport), rádio com MP3 e Bluetooth, além dos obrigatórios air-bag e ABS. A concorrência, para atingir o mesmo nível de equipamentos, supera o preço do novo Ka, por isso o preço, apenas em tese, parece maior.

Estacionado ao lado do irmão New Fiesta, o novo Ka aparenta ser maior, por conta do teto elevado e das linhas mais retas, enquanto o compacto premium adota um visual mais esportivo e anguloso. A frente segue o visto nos últimos carros da Ford, com grade no melhor estilo Aston Martin e faróis com desenho agressivo – no caso da versão hatch eles têm máscara negra, sendo cromados no sedã. A lateral repete o visual encontrado em outros Ford, com linhas bem demarcadas e maçanetas compartilhadas com outros modelos. Isso acaba criando uma certa identidade visual entre os modelos da marca.

Ford Ka 5

A traseira causou polêmica, repetindo o que ocorreu com o Chevrolet Onix, por conta da similaridade com a do Volkswagen Gol, ainda que a do novo Ka tenha mais personalidade própria. As lanternas espichadas mantêm a conexão com o visual da Ford e têm os cantos invadindo a lateral, como no médio Focus. As versões SE e SE Plus contam com calotas aro 14 de desenho bem resolvido, além de friso cinza na grade. Já a topo de linha SEL as troca por rodas de liga-leve aro 15 do emprestadas do New Fiesta e a grade recebe um friso cromado, enquanto as lanternas traseiras passam a ser fumê.

O interior evoluiu muito em relação à geração anterior do carro: os materiais são de qualidade e os arremates bem feitos, levando em consideração o posicionamento e preço do carro. Apesar do uso extenso de plástico, o material é resistente e conta com texturas interessantes, sendo de melhor aparência até do que o visto no New Fiesta. Ainda em comparação ao irmão, considerando ambos nas versões SE, o novo Ka passa a sensação de ser um modelo mais completo e de maior refinamento do que o hatch mais caro.

Ford Ka 7

O espaço para os passageiros no banco traseiro é notável, sendo maior do que o encontrado na maioria dos concorrentes. Há uma enorme profusão de porta-objetos no interior do novo Ka, sendo ao total oito porta-copos e até mesmo um interessante porta-objetos na lateral do painel que fica camuflado com a porta fechada. O único senão para a parte interna fica por conta do quadro de instrumentos diminuto e de aspecto extremamente simples.

Mas será que as revendas Ford acompanham o pique do novo Ka? Para descobrir isso, visitamos duas concessionárias em Campinas (SP) e mostramos um pouco do impacto que o novo carro causou nas revendas da marca.

Ao volante, o Ka mostra os genes vindos do Focus

Referência mundial em dirigibilidade (ao lado do Volkswagen Golf), o Ford Focus transmitiu ao novo Ka alguns de seus predicados ao volante. Não que as gerações anteriores do compacto fizessem feito, até porque ele era tido como um verdadeiro kart nas versões 1.6, porém o comportamento dinâmico do novo modelo está mais apurado. O motor 1.0 de três cilindros é surpreendente e baseia-se no super premiado EcoBoost 1.0, porém sem a adição do turbo e adaptado para rodar também com etanol. Infelizmente, nenhuma das concessionárias visitadas nesse Visão do Consumidor dispunha da versão mais forte equipada com o motor 1.5 Sigma.

A direção elétrica mostrou-se equilibrada na medida exata: extremamente leve em manobras e bastante firme durante a condução, instigando a contornar as curvas de maneira mais esportiva. O conjunto é completado pelo câmbio de engates curtos e precisos e também pela suspensão firme. Interessante notar a presença de um indicador de marchas no painel, semelhante ao empregado no Renault Sandero e no Volkswagen Fox. Durante o test-drive, em uma reta à aproximadamente 60 km/h o novo Ka indicava para engatar a quinta marcha, sem perder o folego ou apresentar lentidão.

Ford Ka 2

Vale ressaltar o bom isolamento acústico no interior e o bom trabalho evitando vibrações vindas do motor 1.0. Mesmo com três pessoas sendo transportadas e com o ar-condicionado, o pequeno motor mostrou seu vigor e não exigiu constantes reduções de marcha.  Ainda sobre o ar-condicionado, ele gela rapidamente e não compromete o fôlego do novo Ka, sem a tradicional queda de desempenho abrupta que ocorre em muitos carros 1.0.

Na hora da venda uns atendem melhor, outros sabem mais

As concessionárias da Ford visitadas mostraram que, apesar de cuidarem de um público mais amplo, não há economia em bom atendimento. Tanto a Ford Tempo quanto a Forte Ford contaram com vendedores simpáticos e dispostos a vender o produto exposto. No caso da primeira revendedora houve uma curiosa situação, pois foi oferecido um test-drive em um EcoSport apenas para conhecer o SUV. O showroom da Tempo é formado por uma bela estrutura de vidro e aço, apesar do espaço ter poucos modelos em exposição. A configuração é bem distinta da encontrada na Forte, com lugar dedicado a cada modelo disponível pela Ford, mas igualmente bem iluminado.

Atendido com simpatia e atenção, a funcionária da Tempo se mostrou interessada no cliente e disposta a manter um ambiente agradável e sem pressão para a compra, atitude pouco comum entre os vendedores, porém de grande valia. Deixou a desejar, porém, em termos de conhecimentos mais específicos do novo Ka, como o sistema de ligação de emergência para o Samu em caso de acidente, item ressaltado pelo vendedor na outra concessionária. Na Forte Ford todos os itens de inovação e características do novo Ka foram esmiuçados e apresentados em detalhes. O atendimento também foi agradável e sem pressão, com atenção durante todo o tempo e dúvidas sanadas.

Ford Ka 4

O test-drive novamente manteve o mesmo padrão, com um percurso ligeiramente maior no  da Tempo. Nos dois casos, ruas residenciais de pouco movimento foram o palco do rápido teste, porém com grande quantidade de aclives, declives e curvas, suficiente para produzir uma primeira impressão. A negociação, devido ao fator lançamento, não contou com descontos. Porém, em uma simulação para a versão SE 1.0, houve uma diferença de R$ 600 entre o preço praticado por cada concessionária, sendo o menor na Tempo.

O novo Ka mostra a evolução da Ford em seus produtos, exibindo uma ótima qualidade de construção, e em seus serviços, com concessionárias que apresentam um bom atendimento ao cliente. Os vendedores ganharam pontos principalmente por receber potenciais compradores sem pressionar para fechar negócio, o que mostra que a marca confia no produto, mas também está mais disposta a lidar com um consumidor que se mostra cada dia mais exigente e que, há tempos, rejeita atendimento ruim na hora de comprar um produtos caros como são os automóveis no Brasil.

Infográfico-Avaliação-Ford-Ka