Nascido como mais uma tentativa de substituir o Gol, o Volkswagen Fox chegou ao mercado nacional apostando em soluções criativas e também no amplo espaço interno. Porém, diferentemente do irmão mais barato que vivia o auge de sua terceira geração, a raposa alemã pecava no acabamento, principalmente no diminuto painel de instrumentos. Mais tarde, em 2010, o Fox recebeu sua primeira grande remodelação, adotando a identidade visual mundial da Volkswagen e um padrão de acabamento referência para a categoria.

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Em 2014, mais uma vez o Fox subiu um degrau na vida, desta vez com a missão de substituir de vez o desatualizado Polo, tendo como influência maior o hatch médio Golf. É evidente a inspiração vinda do Volkswagen mais vendido no mundo, principalmente pela dianteira visivelmente mais baixa e dos faróis com desenho integrado à grade frontal. Até mesmo os para-choques buscam o desenho da versão GTI com a seção responsável por alocar os faróis de milha com pequenos filetes.

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A traseira também segue o estilo do Golf: agora o Fox conta com lanternas horizontais com boa parte delas invadindo a tampa do porta-malas. O efeito deixou a traseira mais reta e também mais baixa visualmente. A interessante solução de incorporar a maçaneta do porta-malas ao logotipo da Volkswagen, solução vista em modelos mais caros, é um exemplo da guinada que a marca deu na vida do Fox. Por dentro as novidades são pequenas, apenas novos revestimentos e uma pequena alteração na parte superior do painel. Não que isso seja algo ruim, até porque o compacto altinho mostra um bom acabamento e acesso fácil a todos os comandos.

Talvez a melhor sacada da Volks foi a utilização proveitosa do espaço interno: apostando no teto mais alto, o Fox usufrui de uma boa sensação de amplitude, elevada pela modularidade do banco traseiro. Esse assento pode ser deslocado alguns centímetros à frente ou dobrado em duas posições diferentes, permitindo o aumento da capacidade do porta-malas. Mesmo com os bancos dianteiros regulados para pessoas altas, o espaço traseiro ainda é suficiente para abrigar dois adultos com conforto.

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A dinâmica afiada típica de um Volkswagen

Os carros da Volkswagen sempre foram conhecidos por ter no prazer ao dirigir a sua maior arma de sedução na hora da compra e o Fox não foge à regra. A troca da direção hidráulica pela nova elétrica trouxe a maciez necessária para as manobras em baixa velocidade e uma boa firmeza durante o rodar, ainda que não seja tão firme quanto a do novo Ford Ka. O volante das unidades testadas era o mesmo utilizado por toda a linha, com origem na peça do antigo Passat CC e de boa empunhadura, apesar do aro relativamente fino. Apenas o Fox Highline 1.6 conta com o novo volante do Golf, que, futuramente, se espalhará por toda linha.

O câmbio de cinco marchas tem alavanca curtíssima e fica localizado em posição bem baixa, privilegiando uma tocada mais esportiva. Aliado ao motor 1.6 das versões Trendline e Comfortline e à suspensão bem calibrada entre conforto e esportividade, o Fox anda bem. Vale lembrar que a versão topo de linha conta com o novo motor 1.6 MSI e também com um câmbio de seis marchas mais eficient. Além disso, há também três opções de versões com dois motores 1.0 diferentes. O único problema, que pode prejudicar uma proposta de condução mais esportiva, é a posição do banco. A regulagem de altura não é suficiente para que ele fique muito baixo, o que dá a sensação de estar dirigindo na posição mais alta o tempo todo.

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Apesar de todas as suas virtudes, a Volkswagen abusou no preço do Fox: a versão Trendline com itens básicos como ar-condicionado, vidros e travas elétricos, direção elétrica e som ultrapassa a barreira dos R$ 45 mil reais. Por conta disso, os vendedores apostam fortemente na versão Highline como tendo o melhor custo-benefício, porém as cifras batem próximas dos R$ 50 mil reais com pintura metálica. Um carro que nasceu para ser barato, mas que evoluiu na vida, deveria ter mantido a racionalidade no preço como sua virtude.

Mesmo grupo, atendimento diferente

Assim como ocorreu durante a Visão do Consumidor do Renault Sandero, a avaliação foi feita em duas concessionárias do mesmo grupo, no caso o Tempo. Uma delas fica localizada na cidade de Valinhos e a outra em Campinas, ambas cidades do interior de São Paulo. Apesar disso, as diferenças entre as duas revendedoras foram evidentes. A começar pelo showroom, a unidade de Campinas é ampla e de dimensões generosas. A unidade conta com toda a linha Volkswagen, até mesmo os importados de luxo Tiguan, Touareg, Passat e CC. Por outro lado, a Tempo em Valinhos é menor e, apesar da bela fachada de vidro, tem menos veículos expostos.

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O tamanho da concessionária não se refletiu no atendimento em Valinhos: o vendedor simpático e atencioso foi paciente o suficiente para explicar item por item as diferenças entre cada versão do novo Fox, além de mostrar detalhadamente cada mudança feita na reestilização. Na Tempo Campinas a experiência foi um pouco diferente: o vendedor se apresentou muito tempo depois do suposto comprador já circular pela concessionária. Várias vezes, durante o atendimento, houve uma reclamação constante sobre a Volkswagen, com argumentos como: “cabeças ocas de alemães” sobre a indisponibilidade de unidades a pronta entrega de cores diferentes de vermelho, branco e prata. A expressão “é Volkswagen”, com tom de desdém, foi utilizada ao ressaltar alguns fatos como a falta de diferenciação entre os modelos, o preço alto do novo Fox considerando seus itens de série e valor dos pacotes de opcionais, chegando ao cúmulo de dizer que “o Fox é o primo pobre do Golf”. A impressão de descontentamento com a marca foi, curiosamente, gritante.

Novamente o test-drive mostrou alguns contrastes e semelhanças. Enquanto a Tempo Campinas conta com um profissional exclusivo para a realização do test-drive, a burocracia e o tempo decorrido até a realização do teste foram negativamente notáveis. Durante o percurso em Campinas, que contou apenas com trechos em avenidas de velocidade alta, o funcionário soube destacar e explicar melhor os itens do Fox do que o próprio vendedor no showroom. Em Valinhos, o circuito seguiu o mesmo esquema, diferenciado apenas pelo revelo local e também pela grande quantidade de lombadas. Neste caso, o próprio vendedor acompanhou o circuito explicando mais detalhes e funções do compacto.

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Por ser um lançamento recente, a negociação não contou com grandes vantagens ou descontos. Apenas a Volkswagen Tempo Campinas se prontificou, após bastante discussão, a oferecer um desconto de 3% no valor do Fox. Como todo agrado em lançamentos vem com uma contrapartida, a entrega para unidades com cores que não estavam disponíveis a pronta entrega seria feita em 30 dias, podendo haver aumento de preço repassado diretamente para o cliente, mesmo com o negócio fechado. Nos dois casos, unidades 2014 do Fox foram oferecidas com descontos altos de 11% a 15%.

Subindo na vida a cada mudança, o Fox alcançou o mercado dos hatchs compactos premium, tendo concorrentes de peso como Peugeot 208, Citroën C3 e Ford New Fiesta. O conjunto convence muito bem, apresentando bom desenho, espaço interno generoso e condução prazerosa. Já o preço assusta, ainda mais se compararmos o pacote básico do modelo com o que o seus concorrentes oferecem.

Infográfico-Avaliação-Volkswagen-Fox