Depois de ver todos os seus concorrentes serem renovados e também ganhar novos rivais, o Toyota Corolla finalmente chegou a uma nova geração. Com três carrocerias diferentes para o mundo, o Brasil foi contemplado com a versão mais elegante e conservadora vendida no mercado europeu.A escolha dessa versão tem a ver com o perfil do carro no Brasil. Manter a aura conservadora ajuda a agradar o público cativo do modelo.

Andando, o sedã japonês absorve os impactos do solo muito bem, apesar de chacoalhar bastante a traseira. A direção é elétrica, com comportamento progressivo. Aliada ao suave câmbio CVT, deixa a condução tranquila. Mas ao acionar o modo Sport, o comportamento do pacato sedã fica mais interessante: o volante adquire a firmeza necessária para uma condução um pouco mais prazerosa e o motor enche mais rápido, único momento que o Corolla desperta uma pequena dose de emoção.

Visualmente, o sedã médio está muito mais bonito e dinâmico – segundo a vendedora da concessionária Nippokar, os vendedores estão proibidos de dizer que o Corolla está mais esportivo. Os faróis de desenho agressivo ficam integrados a grade frontal de maneira harmônica, criando um efeito visual interessante com os vincos do capô e para-choques.

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Internamente é que o Corolla decepciona: apesar dos materiais de qualidade usados, o visual não é tão moderno quanto os concorrentes e não há tanto refinamento. Imitações pouco felizes de fibra de carbono foram usadas em algumas peças e o visual muito antiquado (o maior símbolo disso é o relógio digital praticamente idêntico ao antigo Del Rey, da Ford). O principal problema do interior, possivelmente, é a qualidade dos bancos de couro. Mesmo na caríssima versão Altis de R$ 92 mil, o couro ainda é sintético de baixa qualidade, com toque áspero e duro.

E NA HORA DA VENDA?

Durante esta Visão do Consumidor duas concessionárias foram visitadas em Campinas, interior de São Paulo. E, assim como na Visão do Consumidor feita com o Volkswagen Up, a diferença na experiência entre cada uma se repetiu com o Corolla. Atendimento superior e atenção especial com o consumidor são itens sempre associados às concessionárias Toyota pelos consumidores, mas apenas uma conseguiu honrar esta boa fama.

A Maggi Motors conta com um showroom pequeno, com espaços separados para a linha Etios e o restante dos modelos Toyota, além de um grande painel semelhante ao usado nos estandes do Salão do Automóvel. O espaço para a oficina e entregas fica misturado na entrada do showroom, causando um certo incômodo com o entra e sai de carros na porta de entrada. No caso da Nippokar o showroom também não é um grande destaque, o espaço é suficiente para exibir alguns modelos da gama, apesar da amplitude visual. No dia da visita não havia nenhuma unidade da família Hilux, muito menos o sedã grande Camry, ou Etios sedã, porém um Prius se misturava a dois Etios Cross.

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A diferença mais evidente entre as duas foi no atendimento. Ao entrar na Maggi nenhum consultor abordou para fazer o pré-cadastro e, posteriormente, chamar um vendedor: todos estavam conversando entre si. Apenas uma unidade do Corolla estava exposta, na parte superior da concessionária, e tratava-se da versão topo de linha Altis. Após uma longa espera – com direito a sondagem em torno do carro -, a vendedora finalmente apareceu e não se mostrou muito animada para mostrar o veículo. Nenhuma informação foi passada sem que houvesse uma pergunta antes. Além disso, havia desconhecimento sobre o câmbio CVT, sendo considerado apenas como um “automático de sete marchas”.

O atendimento na Nippokar foi totalmente diferente, o pré-cadastro foi feito logo ao entrar na loja e uma vendedora foi prontamente chamada. Nesta concessionária havia um Corolla Altis, um XEi para test-drive dentro do showroom e uma unidade GLi do modelo antigo. A demonstração ocorreu no modelo XEi, já que a própria vendedora alegou que o Altis “não vende por ser caro”. Todos os detalhes do carro foram mostrados, inclusive dados sobre potência e capacidade do porta-malas, mas um deslize um tanto absurdo foi cometido. Ao questionar sobre o que seria o câmbio continuamente variável CVT a vendedora alegou que se tratava de “comando variável de válvulas”.

Durante o test-drive, mais diferenças. As duas concessionárias utilizaram um Corolla XEi prata para a função, versão que deverá ser a mais vendida da linha. A Toyota Maggi conta com um percurso misto entre ruas rápidas e de acesso, além de uma subida íngreme. Somente neste momento a vendedora se prontificou a ser mais atenciosa, mostrando todo o sistema de multimídia presente nas versões 2.0 do sedã. Um erro, afinal esse momento tem como foco a direção do modelo. O percurso da Nippokar é um pouco maior, com trechos nos quais é possível ter uma noção mais clara sobre o desempenho do Corolla. Em um ponto a vendedora fez questão de que o modo Sport fosse utilizado, juntamente com os paddle-shifters para mudanças de marcha. Ponto positivo.

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A negociação se manteve igual em abas concessionárias, com condições de financiamento e juros semelhantes (levemente mais altos na Nippokar) e sem ágio em qualquer versão. O grande ponto sempre discutido em ambas as concessionárias fica por conta do preço mais baixo de revisão e de seguro frente aos concorrentes. Apenas na Toyota Nippokar foi alertado sobre a espera grande pelo modelo por conta das altas vendas, mesmo para a cor prata.

Mais uma vez a diferença entre o atendimento nas concessionárias faz diferença na hora de fechar um negócio, valendo sempre pesquisar e ver o mesmo carro em duas ou mais revendedoras.  

Infográfico-Avaliação-Corolla

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