O mercado automotivo japonês é particularmente peculiar. Além dos curiosos kei cars, os japoneses contam com uma infinidade de carros diferentes e exóticos desenvolvidos apenas para o consumidor local. Muitas vezes, alguns deles agradam tanto que atravessam o oceano em direção a outros países. Um exemplo disso é o Toyota Sera, um esportivo compacto que exclama suas origens nipônicas em cada centímetro da carroceria.

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Lançado em fevereiro de 1990, o Toyota Sera foi desenvolvido sobre a mesma plataforma dos modelos Tercel, Starlet e Paseo, este último importado para o Brasil e hoje considerado uma raridade. Seu nome, segundo a Toyota, tem origem francesa e representa a palavra será, a qual atribui o significado de algo que projeta o futuro. A justificativa está em seu desenho futurista, com soluções inéditas para a época, como o fato de que o Sera foi um dos primeiros carros a serem equipados com projetores nos faróis.

Mas as portas asa de borboleta que, na realidade, merecem o grande destaque quando falamos sobre o cupê nipônico. Estas portas são semelhantes às usadas em modelos icônicos (e muito mais caros que o Sera) como Mercedes-Benz SLR McLaren Roadster, McLaren MP4-12C e McLaren F1. Aliás, acredite se quiser, Gordon Murray, o pai do McLaren F1, admitiu em uma entrevista que as portas do seu superesportivo foram inspiradas das do pequenino e inofensivo Toyota Sera.

Toyota Sera [8]

Se acha que o “efeito estufa” afeta apenas o planeta Terra, saiba que o Sera também sofria deste mal. Pelo fato de parte superior da carroceria ser praticamente toda feita em vidro, o interior do cupê costumava ficar extremamente quente. Por isso, a Toyota o equipava com ar-condicionado de série. Convenhamos que os vidros laterais com abertura reduzida e o fato de que o vidro das portas se estendia até o teto sem nenhuma cobertura corroboravam para este efeito.

Toyota Sera [6]

Por falar em vidro, uma característica marcante do Sera – e também do Opel/Chevrolet/Vauxhall Tigra – era a tampa do porta-malas. Ela era constituída totalmente por um vidro curvo que invadia as laterais e dava um certo efeito bolha no visual. As lanternas traseiras eram grandes e visualmente conectadas por um retângulo plástico com o nome Sera. Visto de frente, ele não chamava tanta atenção, já que tinha um desenho um tanto quanto genérico.

Toyota Sera [9]

Com apenas 3,86 metros de comprimento, 1,65 metros de largura e 1,26 metros de altura, o Sera era um carro pequeno. Esse fato, justificava o seu peso baixo de apenas 930 kg. Por isso, a Toyota adotou um motor igualmente pequeno para ele: um 1.5 com 110 cv associado a uma transmissão manual de cinco marchas ou automática de seis velocidades. A tração dianteira não era tão animadora, mas o peso baixo associado a uma carroceria curta, faziam do Toyota Sera um modelo bem divertido.

Toyota Sera [10]

Em dezembro de 1995, a produção do Toyota Sera foi encerrada após 15.941 unidades produzidas. Um fato curioso é que apenas 15.852 carros foram registrados no Japão assim que vendidos pela primeira vez, levando a uma discrepância nos números. Diversas unidades do Sera foram exportadas por importadoras independentes, mesmo com volante do lado direito, para os Estados Unidos, Canadá, Índia, Reino Unido, Nova Zelândia, Suécia e Austrália.

Toyota Sera [4]

O Toyota Sera não teve um sucessor direto, mas deixou para o MR2 o papel de esportivo compacto e divertido da Toyota. Mas este tinha com uma grande vantagem sobre o Sera: ele tinha tração traseira e motor central.