Pegando todos de surpresa, a Toyota decidiu oficialmente matar a sua marca de modelos “jovens”, a Scion. O futuro dos modelos da marca já está traçado: a partir do lançamento da linha 2017, os modelos passarão a ser vendidos com o logotipo Toyota.

[interlinks]

Apenas três carros permanecerão: o hatchback iM (uma variante rebatizada e levemente modificada do Auris, o Corolla hatch), o sedã iA (um Mazda 2 Sedã com dianteira nova) e o esportivo FR-S (o famoso Toyobaru com logotipo mudado). O hatch-caixote xB já havia sido descontinuado e o cupê tC seguirá o mesmo caminho. O SUV compacto C-HR, que seria vendido como Scion nos Estados Unidos, ficará agora a cargo da Toyota, como no restante do mundo.

Toyota para jovens

Scion xB [11]

A Scion foi anunciada pela Toyota em 2002 nos Estados Unidos, como uma marca jovem e direciona para adolescentes e jovens adultos. O principal foco era atrair consumidores norte-americanos que achavam que a Toyota era uma marca “para pessoas velhas”. Para isso, a Scion decidiu apostar em carros com estilo exótico e muita personalização.

Scion xA [3]

No início da vida da marca, era possível levar direto de fábrica um modelo com modificações mecânicas, como suspensão mais baixa, filtros de ar, freios maiores, entre outros. O mais extremo era o cupê tC que contava com supercharger entre os acessórios. Mudanças visuais também eram possíveis, com a oferta generosa de rodas, body-kits, aerofólios, adesivos e outros pormenores. As opções chegavam a mais de 150 acessórios diferentes.

Scion tC [3]

A marca também apostava na política de “preço-puro”, onde os valores expostos nos para-brisas dos carros eram os valores reais para o consumidor final. Ou seja, já eram inclusas todas as taxas, opcionais e acessórios presentes naquele modelo específico em exposição. Outro diferencial, era o fato de que os modelos não possuíam versões, ficando a cargo do consumidor torná-los diferentes.

Scion iM [4]

Os primeiros modelos foram os hatchs xB e xA, ambos apostavam em um estilo exótico e tipicamente japonês. O xB foi o modelo mais longevo da Scion, sendo produzido até 2015 em duas gerações. Seu melhor ano foi 2006, tendo vendido cerca de 61 mil unidades. A primeira encarnação foi a mais bem-sucedida e é a preferida dos consumidores até hoje: ele se destacava justamente por ser assumidamente desenhado por uma régua. Somente a potência não era lá essas coisas, ele usava um motor 1.5 de 103 cv.

Na nova geração, ele assumiu um estilo mais curvilíneo e esportivo, em detrimento do estilo minivan quadrada do primeiro xB, algo como um Kia Soul sem tanto charme. O nível de personalização também diminuiu muito, fazendo com que consumidores jovens não se interessassem mais tanto pelo xB. Nesta segunda geração, ele contava com motores 1.5, 1.8 e 2.4. Imagine este caixote ambulante com este 2.4 de 160 cv?

Já o Scion xA não foi tão bem-sucedido quanto seu irmão quadrado, tanto que deixou de ser vendido em 2006, apenas dois anos depois de ser lançado. Ele adotava um estilo levemente crossover, com para-lamas largos e carroceria alta, influenciada pelas minivans. Um dos fatores que pesou contra o xA foi o fato dele não ser tão esquisito quanto o xB e lembrar vagamente o popular Toyota Yaris. Seu pico de vendas foi em 2005 com 28 mil unidades. O motor era o mesmo 1.5 de 103 cv do xB de primeira geração.

A redenção aos jovens se deu pelo lançamento do cupê tC em 2005. O modelo é um sucessor espiritual do Toyota Celica, repetindo parte da fórmula do primo Toyota, apesar de ser maior, mais alto e mais espaçoso. O visual era pacato, sem grandes exageros ou linhas agressivas, tornando o Scion tC, um cupê elegante, mas ainda bastante atrativo aos jovens. Tanto, em 2006 ele vendeu 79.125 unidades, se tornando o Scion mais vendido da história.

Scion tC [6]

Na segunda geração de 2011, ele ganhou linhas mais retas e ousadas. A dianteira recebeu para-choques mais pronunciados e o para-brisa parecia se integrar aos vidros laterais. Para 2014, a Toyota preparou novos faróis e uma grade frontal generosa, com direto a saias e lanternas traseiras escurecidas. As vendas diminuíram com o tempo, mas ele sempre manteve o posto de mais vendido da marca, um feito notável para um cupê.

Scion tC [10]

O motor da primeira geração era um 2.4 VVT-i com 161 cv e 22 kgfm de torque e a potência chegava a 200 cv e 25,1 kgfm de torque com o supercharger opcional. A transmissão era manual de cinco marchas ou automática de quatro. Na segunda encarnação, ele passou a usar um motor 2.5 de 180 cv e 23,5 kgfm de torque associado a transmissão automática ou manual, ambas com seis marchas.

O último modelo desenvolvido pela Scion, e que só depois ganhou o logotipo Toyota, foi o xD em 2008, o substituto do xA após um hiato de dois anos.  Ele carregava a fórmula básica de seu antecessor com seu estilo crossover, porém, ele apostava em um teto mais baixo e uma dianteira mais agressiva para conquistar os consumidores.

Scion xD [2]

O motor era um 1.8 a gasolina de 128 cv com transmissão manual de cinco marchas ou automática de quatro velocidades. Assim como seus irmãos, o xD apostava na personalização e nas séries especiais para conquistar o público, mas suas vendas conseguiram ser ainda menores que as do xA, chegando em 2008 a vender 27 mil unidades e depois ultrapassando apenas duas vezes a barreira das 10 mil unidades.

Em 2012 foi a vez da estreia do iQ, modelo homônimo vendido pela Toyota na Europa (pela Aston Martin como Cygnet) e rival direto do smart ForTwo. O motor era 1.3 de 94 cv. As vendas foram extremamente baixas e ele foi descontinuado em 2015. Em 2013, chegou o FR-S, a versão Scion do Toyota GT86 e do Subaru BRZ. Ele continuará a ser vendido nos Estados Unidos com este nome, porém realocado como um Toyota.

Os mais recentes lançamentos da marca não completarão um ano como Scion e já serão rebatizados: o hatch médio iM e o sedã compacto iA fazem parte da última leva da marca de modelos rebatizados e que praticamente ainda não tiveram um início de vendas no mercado. Respectivamente iM e iA são versões rebatizadas dos modelos Toyota Auris e Mazda 2 Sedã.

Os jovens que ficaram velhos

Scion iA [1]

A Scion havia conseguido um feito histórico no mercado estadunidense: era a marca com média de idade de seus compradores mais baixa entre todas as fabricantes de automóveis. Enquanto a Toyota aparecia com média de 54 anos, a Scion se vangloriava com seus jovens compradores na faixa dos 39 anos. Contudo, as coisas mudaram com o tempo.

Scion FR-S [4]

A boa fama e a resistência dos modelos, por serem tipicamente japoneses, atraiu uma parcela mais velha de consumidores. Além disso, com a diminuição das opções de personalização para seus modelos e o crescente desinteresse dos jovens por carros, a Scion, aos poucos, se tornou extremamente atrativa para o público idoso, aumentando muito sua média de idade.

Scion xB [4]

As vendas baixas, a crescente idade do público e a falta de atrativo para os jovens culminou no fim da Scion em 3 de fevereiro de 2016, após um longo debate com seus concessionários. No fim, a Scion nasceu para ser  jovem e morreu jovem com apenas 13 anos.