A Renault Scénic foi uma vanguardista no mercado brasileiro: ela foi a responsável por inaugurar a fábrica da marca no país, tornando-se assim, o primeiro Renault brasileiro. Foi também a primeira minivan de porte médio a ser comercializada em nosso país, iniciando assim, a febre por estes modelos que existiu na época, sendo seguida com certo atraso por Citroën Xsara Picasso, Fiat Idea, Chevrolet Zafira e Meriva.

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Mas não foi apenas por aqui que ela trouxe novidades. Na Europa, a Scénic ganhou uma versão verdadeiramente off-road, que muitos acabaram por considerar o primeiro SUV da Renault.

Aliás, a história do “primeiro SUV” da Renault parece uma novela mexicana, digo, francesa. O primeiro SUV da marca seria o Koleoslançado em 2008. Contudo, como ele era um projeto da Samsung, o título deveria ser passado para o Dusterem 2010. Ocorre que o Duster era de origem Dacia, também padecendo de legitimidade para o posto. O verdadeiro “primeiro SUV da Renault” seria então o Captur, lançado em 2013, exatos 13 anos após o Scénic RX4.

Renault Scénic RX4 [17]

Diante de todo esse imbróglio, por que uma minivan foi considerada por muitos o primeiro SUV da Renault? A razão foi uma carta que que RX4 trazia na manga: ela tinha tração nas quatro rodas. Com isso, era capaz de rodar onde Chevrolet Spin Activ, Fiat Idea Adventure, Nissan Livina X-Gear, Citroën C3 AirCross e todas as outras minivans metidas a aventureiras (e também muitos SUVs “urbanos”), jamais sonhariam em colocar seus pneus. A marca, na época, considerava a Scénic RX4 concorrente direta de verdadeiros utilitários esportivos, como Honda CR-V, Toyota RAV4 (vale uma ressalva que a dupla japonesa ainda não era nem um pouco urbana nesta época) e Land Rover Freelander.

Renault Scénic RX4 [10]

Ela mantinha a mesma plataforma, características técnicas e grande parte do visual da Scénic original, incluindo o piso traseiro plano, porém, a capacidade de vencer obstáculos devido à tração integral era um grande diferencial. Foi a primeira vez que a Renault usou esse tipo de tração em um carro que não fosse realmente um off-road, ou ainda, um modelo de características muito especiais, como o Safrane V6 Biturbo Quadra e 21 Quadra, que também tinham tração 4×4 como forma de melhorar seu comportamento dinâmico, proposta diferente da Scénic aventureira.

Renault Scénic RX4 [2]

Ela contava com sistema de tração nas quatro rodas sob demanda, ou seja, a tração nas rodas traseiras era acionada apenas em momentos em que ela se fazia necessária. Em situações do dia-a-dia, como andar na cidade ou estrada, a tração dianteira dava conta do recado. Ela podia ser equipada com motor 2.0 a gasolina de 114 cv (o mesmo usado no Brasil) ou o diesel 1.9 dci de 102 cv. Assim como acontecia por aqui, ela podia ser equipada com transmissão manual de cinco marcas ou automática de quatro velocidades.

Renault Scénic RX4 [9]

Além da habilidade para andar onde as minivans normais não andavam, outro grande apelo de vendas da Renault Scénic RX4 era seu visual parrudo. Parecia uma prévia do que seriam os Fiat Adventure poucos anos depois, com muito plástico decorando a carroceria. A dianteira incorporava um novo para-choque, mais volumoso e com um falso quebra-mato. Os para-lamas tinham cobertura plástica até a altura do vinco da linha de cintura. As portas também exibiam generosas doses de plástico.

Renault Scénic RX4 [18]

A traseira também trazia diferenciais importantes em relação às demais versões da minivan. Apenas as lanternas originais eram mantidas, de resto, tudo era diferente na aventureira RX4. A começar pelo estepe pendurado na tampa do porta-malas, protegido por uma cobertura plástica, que o deixava com aspecto gigantesco. Por causa do novo posicionamento do pneu sobressalente, a Renault teve que dividir a abertura da tampa do porta-malas em duas: a parte inferior, com o estepe, abria para o lado, enquanto, a parte superior que continha o vidro, abria para cima.

Como curiosidade, vale ressaltar que, naquela época, a Scénic europeia contava com abertura independente para o vidro da tampa do porta-malas, sistema igual ao usado na Peugeot 206 SW. Porém, diferentemente da perua do 206, este item jamais foi oferecido pela Renault no Brasil, assim como o teto solar duplo.

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Por dentro as diferenças eram menores: a RX4 contava com parte superior do painel pintada em preto, bancos com seções em neoprene e couro alcantara, além de detalhes plásticos em laranja. A Renault Scénic RX4 foi vendida até 2003, quando a fabricante francesa a descontinuou por conta das baixas vendas. A minivan só voltou a ter uma versão aventureira com sua segunda geração, em 2007. Denominada Conquest, não oferecia suspensão mais alta ou a tração 4×4, durando até 2009. Por fim, em 2014, surgiu a Scénic XMODjá na terceira geração da minivan, novamente sem nenhum apelo off-road, além do visual.