Especialmente nos EUA e na Europa, as leis que restringem emissões de poluentes estão cada vez mais severas. Foram elas que aceleraram o processo de “downsizing” dos motores, o que levou à atual proliferação dos propulsores de baixa cilindrada com turbo compressor. Contudo, em breve, nem mesmo essa revolução dos motores será suficiente para atender os parâmetros legais de emissões, fazendo com que os fabricantes iniciem uma nova fase do downsizing: a da redução de peso.

Sempre que se fala em leveza, o alumínio logo é colocado em pauta. Seu uso já é uma realidade em muitos carros mundo afora e sua adoção na fabricação de SUVs de grande porte, como os novos Range Rover, deixam claro que o metal é forte o suficiente para substituir o aço em algumas aplicações.

Ocorre que o alumínio ainda não é leve o suficiente e, na maioria dos casos, os fabricantes recorrem a ele quando buscam uma redução de aproximadamente 5% do peso total do veículo, segundo um estudo do Center for Automotive Research, entidade norte-americana que pesquisa a indústria automotiva. Nesse cenário, o foco dos engenheiros se volta para a fibra de carbono, material exaustivamente utilizado na indústria aeroespacial, em carros de corrida e superesportivos. Contudo, a popularização da fibra de carbono precisa ultrapassar dois grandes obstáculos, que são o alto preço e a dificuldade de produzir. O preço poderia baixar com o aumento da escala, mas a dificuldade da fabricação é um sério obstáculo dentro do atual modelo de produção em massa. Ainda assim, alguns fabricantes já começam a dar os primeiros passos, como a BMW que introduziu o plástico reforçado com carbono, mas que ainda é um processo incipiente.

O uso de materiais cada vez mais exóticos terá grande impacto na forma como os carros são fabricados. As tradicionais prensas das estamparias continuarão marcando presença por mais um bom tempo, mas podem ter que dividir seu protagonismo com fornos e outros equipamentos utilizados na produção de materiais compósitos.

Os esforços, entretanto, não se restringem à carroceria, avançando também sobre outros componentes do veículo. Baterias, dispositivos eletrônicos, componentes mecânicos, rodas, nada vai escapar da onda de redução de peso.

Goste ou não da palavra “downsizing” (“redução” em tradução livre), ela veio pra ficar e se estabelecer como um novo norte para a indústria automotiva mundial. Carros mais leves, possivelmente elétricos e autônomos, devem dominar as ruas em um futuro não muito distante.