Programas de televisão que restauram carros se tornaram comuns na mesma medida que suscitam polêmicas. Nem mesmo o mais popular e respeitado deles, o “Overhaulin'”, que tem no comando o consagrado preparador Chip Foose e é transmitido pelo Discovery Channel, consegue conquistar unanimidade. Há também aqueles que são naturalmente controversos, seja pelo gosto duvidoso e má qualidade do trabalho executado, como também pelas dúvidas acerca da honestidade do que é exibido aos telespectadores.

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Na linha dos programas controversos, temos dois exemplos bastante conhecidos. Um deles é o brasileiro “Lata Velha”, quadro do programa Caldeirão do Huck, da Rede Globo. Outro é o “Pimp My Ride”, criado pela MTV dos EUA e apresentado pelo rapper Xzibit. O programa “global” já frequentou os noticiários em decorrência de denúncias de participantes que alegaram ter sido lesados pela forma como foi feita a restauração de seus veículos. Agora é a vez da atração do canal musical norte-americano ser denunciada por práticas desonestas com os participantes e telespectadores.

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Segundo o jornal estadunidense The Huffington Post, o “Pimp My Ride” é uma fraude televisiva, que engana telespectadores e prejudica participantes. A alegação foi feita após serem entrevistados participantes do programa, que afirmaram que a realidade por de trás das câmeras é bem diferente daquela que chega aos televisores das pessoas.

Uma das acusações feitas através do jornal é de que alguns equipamentos são retirados dos carros assim que terminam as filmagens. Esse seria o caso de Seth Martino, cujo Oldsmobile Cutlass 1977 foi customizado na sexta temporada do programa. Segundo Martino, dispositivos como um recipiente para acondicionar espumantes, o sistema de vídeo e as rodas de 24 polegadas instalados em seu veículo foram retirados assim que as gravações terminaram. A produção da atração informa que alguns acessórios realmente só são instalados para o programa e que sua retirada posterior acontece por motivos de segurança, vez que eles poderiam trazer riscos no uso cotidiano.

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Outra queixa envolveu problemas mecânicos, com os participantes alegando que seus carros tiveram a dirigibilidade prejudicada ou apresentaram defeitos após serem modificados. Até incêndios foram relatados, como é o caso de Justin Dearinger, também participante da sexta temporada do programa, cujo veículo se incendiou cinco anos após passar pelo “show”. Segundo a produção do “Pimp”, alguns carros eram tão velhos que eventuais quebras são normais, lembrando que os carros são customizados e não restaurados.

Como se não bastassem problemas mecânicos e a retirada de acessórios após o desligar das câmeras, em alguns casos o carro fica muito mais tempo na oficina que os dias mostrados durante o programa. Há casos em que o veículo ficou parado por até seis ou sete meses.

Nem mesmo a personalidade e a vida privada dos participantes escapou ilesa. Jake Glazier, participante da quarta temporada, informou que um dos produtores do programa teria pedido para que ele se comportasse de forma mais entusiasmada. Para completar, pediram a Glazier que rompesse com sua namorada, pois isso seria melhor para o programa, vez que passaria a imagem de alguém capaz de conquistar outras garotas com o carro customizado. Neste caso, os responsáveis pelo programa refutaram as afirmações dizendo que nada disso traria benefícios ao programa.

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As acusações não param por aí e as discussões acerca da confiabilidade dos programas televisivos de customização automotiva como o “Pimp My Ride” só aumentam. Se comprovadas todas as alegações dos participantes que se sentiram lesados, a credibilidade desse tipo de atração fica completamente arranhada.

Como mesmo as experiências ruins trazem bons ensinamentos, acabamos aprendendo que a melhor forma de restaurar, customizar ou manter nossos carros é recorrendo a um mecânico de confiança.