Você já conferiu no Autopolis todas as novidades do Fiat Uno 2017, que sofreu leve reestilização e ganhou motores mais modernos e eficientes. Durante o evento de lançamento do novo modelo, tivemos a oportunidade de avaliar unidades 1.0 e 1.3, que mostraram sensível avanço dos novos propulsores em relação a seus predecessores.

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Eficiência é como um mantra para os Firefly (“vagalume”, em inglês), como são chamados os novos motores italianos. São motores que adotam soluções clássicas, como duas válvulas por cilindro e injeção indireta de combustível, mas isso não significa que o novo motor não tenha boas sacadas tecnológicas.

O mecanismo de variação de fase na abertura e fechamento das válvulas permite que o motor funcione no chamado “ciclo Miller”, proporcionando a recirculação dos gases de escapamento, gerando uma economia de combustível, segundo a Fiat, de 4 a 7%. Foi realizada também uma otimização na turbulência da admissão e no posicionamento da vela, o que traz um aumento da estabilidade e da velocidade da combustão.

Os números também apontam um sensível avanço na potência. O tricilíndrico 1.0 tem o maior torque entre os concorrentes, disponibilizando 10,9 kgfm quando abastecido com álcool e 10,4 kgfm com gasolina, em ambos o casos, a 3.250 rpm. A potência é de 77 cv (etanol) e de 72 cv (gasolina), a 6.000 rpm . O motor 1.3 de quatro cilindros alcança 101 cv de potência e 13,7 kgfm de torque a 3.500 rpm (gasolina) e 109 cv e 14,2 kgfm a 3.500 rpm (etanol).

Mas, na prática, o que essa sopa de números representa? Fomos para as ruas de Belo Horizonte para conferir.

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Na medida da proposta

Testamos a versão equipada com o tricilíndrico 1.0 em um percurso eminentemente urbano, com trânsito pesado e ladeiras para subir. No acelera e freia das ruas movimentadas, o Uno se mostrou eficiente e com agilidade compatível com os pouco mais de 10 kgfm de torque disponíveis.

Nas subidas mais íngremes, como ocorre com todo motor de baixa cilindrada aspirado, é preciso reduzir marcha e pisar com gosto no acelerador. O motor zune, mas dá conta do recado.

Um detalhe que chamou a atenção é o baixo nível de vibrações do motor. Mesmo sendo um tricilíndrico, o balanceamento é muito bom e a adoção de novos coxins hidráulicos ajudaram ainda mais a mitigar as vibrações. O resultado disso é um funcionamento suave, que proporciona um rodar muito mais agradável.

Segundo a Fiat, o consumo do motor 1.0, abastecido com etanol, é de 9,24 km/l na cidade e 10,4 km/l na estrada. Com gasolina, é de 13,11 km/l (cidade) e 15,14 km/l (estrada).

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Copo d’água que faz a diferença

Apesar de ter apenas 300 ml a mais de cilindrada, ou o equivalente a um copo de água comum, as versões 1.3 tem uma pegada bem mais divertida.

A agilidade é muito boa e faz parecer que o carro é equipado com um motor maior. As acelerações e as retomadas acontecem com muita disposição, o carro ganha velocidade rápido e a condução bastante prazerosa.

O bom torque e potência fazem o carro trabalhar sem muito esforço, exigindo menos reduções e pisadas mais suaves no acelerador que o 1.0. Por trabalhar fazendo menos esforço, acreditamos que em algumas condições, o 1.3 será mais econômico que o 1.0, mas precisaremos receber os veículos para avaliação mais minuciosa.

Uma inovação interessante é a introdução do start-stop (dispositivo que desliga e liga o motor em paradas) em todas as versões 1.3. Trata-se de um bom sistema para economia de combustível e redução de emissões. Contudo, no caso específico da versão equipada com câmbio manual, é um pouco chato ter que trazer o câmbio para o ponto-morto para ativar o recurso, ainda assim, vale a pena. No Dualogic, a entrada do start-stop acontece de forma natural, sem exigir nenhuma ação específica do condutor.

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Conclusão

Os novos motores Firefly deram mais agilidade, economia e conforto de rodagem ao Uno 2017. Essa motorização vai se espalhar para o restante da linha, mas, por enquanto, será um distintivo do novo Uno.

Rumores indicam que a marca italiana já possui versões multiválvulas e turbo no forno, mas elas serão introduzidas de forma estratégica, provavelmente a partir do próximo ano. Embora a marca não confirme, o rumor faz sentido, vez que a concorrência já possui motores com essa configuração e a Fiat não vai querer ficar de fora.

Estilisticamente, as mudanças foram pontuais mas suficientes para dar uma nova cara ao hatch. De forma geral, o desenho do carro ainda é bastante atual e exigia apenas um refresco para durar mais alguns anos.

Uma questão que vem gerando polêmica são os preços, a partir de R$ 41.840. Realmente não está barato, mas há duas questões envolvidas. A primeira é a inflação: é fato que, infelizmente, todos os carros encareceram sensivelmente em virtude do aumento geral de preços. Outra é que a Fiat pretende posicionar o Uno acima do Mobi, agregando mais equipamentos e conforto ao fato do carro já ser mais espaçoso.

Confira todos os preços e versões clicando aqui.

 

* Marcelo Queiroz viajou para Belo Horizonte a convite da FCA Fiat Chrysler Automóveis Brasil