Você pode comprar o melhor vinho da enoteca, ter um belo relógio no pulso e ainda assim achar que lhe falta algo. Talvez, além das infinitas possibilidades que seu dinheiro possa comprar, uma delas, certamente, deveria sugerir um animalzinho de estimação: que tal um Jaguar?

O XE R-Sport é daqueles modelos que você quer olhar até lacrimejar antes de guiá-lo. As linhas envolvem toda carroceria e os traços lembram o XF, inclusive com peças em comum (como as entradas de ar nos para-lamas), enquanto a silhueta remete ao F-Type. Há quem o chame de sedã, mas você pode chamá-lo de esportivo. Com o 2.0 turbo de 240 cv fica fácil imaginar o motivo. Além da grade invocada e do capô que lembra o design de um Dodge puramente norte-americano, o XE soma as rodas pretas aro 19 que são agraciadas pelo emblema da marca inglesa ao centro dos raios.

Por dentro, além do acabamento primoroso e volante com ótima empunhadura, a posição de dirigir baixa (e esportiva) acaricia o coração do motorista. O centro de comando do XE é norteado pelo monitor touchscreen de 8”, que com controles intuitivos de toque e deslizamento, permite comando total diante dos recursos, incluindo áudio, climatização e navegação por satélite. Como opcional, o cliente da marca ainda pode optar pelo conjunto Touch Pro que traz uma tela touchscreen de 10,2″, interação por diálogo e 10 GB de armazenamento de dados de mídia.

Além de diversos “mimos” que o sedã oferece, há ainda um sistema de som equipado pela Meridian – e nesse caso você tem balanço de graves, médios e agudos bem definidos com potência adequada para produzir aquela “festinha” interna. Em nosso teste com o decibelímetro, o ruído sonoro chegou a 89db. Mérito também do acabamento acústico da carroceria.

 

No uso, sem drama
Mesmo sendo um modelo de entrada da marca, o XE desperta atenção nas ruas: é a velha combinação de elegância, requinte e boa dose de diversão. Com a tração traseira e a transmissão automática de oito marchas assinada pela ZF, o modelo é pontual diante das exigências mais comuns ao trânsito. A altura baixa em relação ao solo não incomoda tanto, mas se você estiver com mais ocupantes no carro, certamente irá perceber a diferença.

O bloco 2.0 de 240 cv se mostrou impetuoso. Mesmo sem ainda colocar o câmbio na posição ‘S’, o XE exibe vigor com torque máximo – de 34,7 kgfm – que já aparece integralmente em baixos 1.430 giros. A transmissão realiza as trocas de maneira sublime, mas ainda há opção de usar as aletas atrás do volante.

Pronto, acionando o modo esportivo e esticando um pouco mais as marchas o “diabo” vem visitá-lo – ainda que não seja uma visita demorada como no irmão maior equipado pelo 3.0 V6 (340 cv). Segurando o pedal do freio com o pé esquerdo e “socando” o acelerador até o fundo, o sedã grita e pula com força empurrando seu corpo contra o banco. Ali está o nosso 0 a 100 km/h realizado em 7 segundos.

A engenharia que atua sob o capô é digna de mérito: o turbocompressor helicoidal é alimentado por um coletor de escape integrado, que sincroniza os pulsos de escape de dois pares de cilindros separados, reduzindo significativamente o “turbo lag” e aumentando a resposta do bloco. Em curtas palavras: é uma explosão de alegria. E o consumo, apesar de não ser o fator preocupante diante de um consumidor da marca, foi interessante: 10,2 e 12,5 km/l em ciclo urbano e rodoviário.

 

Linha 2017 tem novidades
Entre a nova gama de opcionais, o destaque fica por conta do sensor de fadiga, sistema capaz de monitorar o estilo de condução do motorista e identificar se ele está desatento ao volante. Há também TV Digital incorporada ao InControl Touch, a central sensível ao toque de 10,2 polegadas que já integra diversas funções como sistema de som, GPS e configurações do veículo.

O sedã agora também é equipado desde a versão de entrada com o sistema All-Surface Progress Control, que maximiza a tração em baixas velocidades para condições adversas.

Versões
O sedã é vendido nas versões Pure, R-Sport e S, todas com tração traseira e câmbio de oito marchas. São dois motores: 2.0 turbo (240 cv) e 3.0 V6 (340 cv). As opções 2.0 focam no conforto, com suspensão macia como no Classe C. Já na S V6 tudo muda – há o ronco ardido típico do F-Type.

Preços
XE 2.0 Pure – R$ 181.560
XE 2.0 R-Sport – R$ 217.460
XE 3.0 V6 S – R$ 324.060

 

Nota do autor: cabelos brancos e um sorriso no rosto
Durante minha avaliação com o modelo XE levei meu avô Silvio Gonçalves, de 79 anos, para dar uma volta e colher as impressões dele que já teve diversos automóveis icônicos como Dodge Charger, Ford Maverick, Buick, Impala e Galaxie. Em uma das acelerações com o Jaguar ele sorriu e disse: “Isso é máquina, o resto é resto. Ê bichão”. Bonito como poucos modelos à venda no Brasil, o XE entrega mais do que ótima engenharia e beleza – ele nos dá alegria. E sabe ser o melhor amigo até dos vovôs…

Ficha técnica
Jaguar XE R-Sport

Motor: a gasolina, dianteiro, longitudinal, 1.999 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e turbocompressor. Injeção direta de combustível e acelerador eletrônico.

Potência máxima: 240 cv a 5.500 rpm.

Torque máximo: 34,7 kgfm entre 1.750 rpm e 4 mil rpm.

Diâmetro e curso: 87,5 x 83,1 mm. Taxa de compressão: 10:1.
Aceleração 0-100 km/h: 6,8 segundos.

Peso: 1.535 kg.

Velocidade máxima: 250 km/h, limitada eletronicamente.

Transmissão: câmbio automático com oito marchas à frente e uma a ré. Tração traseira. Controle de tração.

Suspensão: Dianteira independente com triângulos sobrepostos. Traseira integral link – multiling com subchassis sobre molas. Oferece controle eletrônico de estabilidade de série.

Freios: Discos ventilados na frente e atrás. Oferece ABS com EBD.

Carroceria: Sedã em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,67 metros de comprimento, 1,85 m de largura, 1,42 m de altura e 2,83 m de entre-eixos.

Capacidade do porta-malas: 450 litros.

Tanque de combustível: 63 litros.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Digite seu comentário
Insira seu nome aqui