Há alguns meses circulam vídeos na Internet que mostram uma técnica de pintura bastante peculiar. Trata-se da Water Transfer Printing (WTP), ou impressão hidrográfica. Em um primeiro momento, chama a atenção a facilidade com a qual peças automotivas como rodas, capas de retrovisores, entre outras, são pintadas: após serem mergulhadas em um tanque, elas saem já com o aspecto final. O resultado impressiona justamente pela simplicidade da aplicação e pelo resultado, vez que, por meio da técnica, é possível aplicar desenhos e texturas complexas em poucos minutos, contrastando com o trabalho demorado e de maior dificuldade e custo de procedimentos como a aerografia.

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Por essas características, o procedimento vem ganhando espaço na customização automotiva em todo o mundo. A técnica surgiu, ainda de maneira rudimentar, nos Estados Unidos durante a primeira parte da década de 1980. De lá para cá, evoluiu de forma considerável. Hoje, o processo consiste em seis passos relativamente simples: aplicação de base na peça (primer), aquecimento da água do tanque de imersão e instalação da película com o desenho desejado, ativação da película, imersão da peça, lavagem e secagem do objeto pintado e aplicação de verniz.

O procedimento em si é rápido. “Tudo depende da complexidade do item que está sendo trabalhado. Por exemplo, uma roda pode levar cerca de 20 minutos para ser pintada, sem considerar o tempo de secagem”, afirma Allan Alves, diretor da Projfix, empresa especializada em impressão hidrográfica.

Egresso da Austrália, Allan conheceu a técnica de pintura no próprio país da Oceania e também no Vietnã. “Ao retornar para o Brasil, a ideia era oferecer a impressão hidrográfica como um complemento para a pintura eletrostática tradicional. Foi identificado, porém, um mercado em potencial, que é o da customização. A partir daí, desenvolvemos um projeto para construir os equipamentos necessários em solo nacional, além de fechar acordos para a importação de películas, montar cadeias de fornecedores e estruturar a atividade de maneira regulamentada”, diz.

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Hoje, a Projfix atua no desenvolvimento de projetos para interessados em adotar a técnica. “O procedimento já é realizado no Brasil, mas de forma amadora. Minha ideia é ir além, disseminando a técnica e também investindo em troca de experiências com quem atua ou pretende entrar nesse segmento. Assim é possível alinhar pretensões, profissionalizar o segmento e aprimorar o procedimento”.

Possibilidades amplas

O que define o aspecto final da peça é justamente a película que será aplicada. Há a possibilidade da utilização de grafismos variados, indo a simples texturas como fibra de carbono até desenho mais complexos, com visual 3D e traços variados. O fato da aplicação se dar por meio de imersão facilita na hora de mudar o visual de superfícies irregulares, deixando os objetos com aparência uniforme. Veja abaixo o resultado do procedimento em uma calota.

Há, contudo, algumas limitações. Basicamente, o tamanho do tanque de imersão define a dimensão máxima do objeto a passar pela customização. “Conforme o formato e característica das peças, às vezes é necessário que seja feita mais de uma imersão. Em compensação, a variedade de materiais sobre os quais a película pode ser aplicada é imensa”, explica Allan. O procedimento é destinado, por ora, apenas à customização, não sendo uma solução para reparação automotiva.

Já em termos ambientais, a película não representa riscos em seu descarte, por ser biodegradável. O procedimento desenvolvido pela Projfix também contempla o reúso da água utilizada na aplicação. “Aplicamos cloro e realizamos um processo de filtragem. Após isso, utilizamos a água para lavar ambientes”.

Outro ponto interessante desse tipo de customização é o custo. Para pintar rodas de até 14 polegadas o valor sugerido é de R$ 120. Já capas de retrovisores saem por R$ 50. Peças como tanques de motocicletas e outras também podem passar pelo procedimento.