O grupo FCA já conta com uma boa quantidade de modelos que só foram possíveis graças a sinergia entre o grupo Chrysler e o grupo Fiat. Modelos como Alfa Romeo Giulia, Jeep Cherokee, Chrysler 200, Fiat 500L, Jeep Renegade e Fiat 500X devem agradecer a sua existência por conta deste bem-sucedido casamento. Apesar disso, apenas um modelo resultante desta união circula no Brasil: o Renegade.

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Por aqui contamos com contradição pouco explicáveis: somos o único país do mundo em que a FCA vende Dodge Journey e Fiat Freemont juntos! Onde há Journey, não se vende Freemont, e vice-versa, menos no Brasil. Mas se estes dois modelos podem conviver juntos mesmo que se tratem apenas de versões rebatizadas e com motorizações diferentes, por que o Renegade não pode ter a companhia de seu primo Fiat 500X no Brasil como ocorre na Europa e nos Estados Unidos?

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Cada um tem sua preferencia

Na Europa, o Jeep Renegade não tem as mesmas pretensões que o modelo tem por aqui no Brasil. A marca sabe que não tem expressão suficiente para fazer frente aos concorrentes, que, por lá já estão consolidados a um tempo no mercado e também estão em maior quantidade do que no Brasil. Além disso, a Fiat tem uma força muito maior no velho continente, fazendo com que o 500X seja priorizado como o SUV compacto principal do grupo.

Nos Estados Unidos a situação é completamente oposta: o Renegade tem a grande força da Jeep para impulsiona-lo para a liderança sem grandes esforços, já que é uma marca tradicional no país. A Fiat como ainda está começando por lá, usa do 500X como um modelo de imagem para poder aproxima-la mais dos yankees e assim conquistar seu espaço dentro deste gigantesco mercado, sem nem chegar perto de ameaçar seu primo.

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Mas e no Brasil? Por aqui o Renegade foi lançado com pompa para se tornar o líder do mercado de SUVs compactos, tarefa esta que o Honda HR-V não está de acordo. A Jeep, apesar de estar presente no país a muito tempo, está renascendo como uma fabricante nacional, não mais como importadora. Isso implica em aproxima-la do público e fazer com que este veja a marca como mais acessível. Colocar o 500X, segundo a própria FCA, poderia atrapalhar estes planos, pois a Fiat tem uma força de marca e concessionárias maior, abocanhando as vendas do primo.

Mas é possível conviverem juntos?

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A resposta é sim, eles podem conviver juntos sem problema. Jeep Renegade e Fiat 500X compartilham a mesma plataforma e parte do conjunto mecânico, mas atendem a públicos completamente diferentes. Pense em Chevrolet Cobalt e Prisma: dividem diversos componentes e plataforma, mas são carros para públicos totalmente distintos. O visual reflete muito de seu público, mas a gama de motores disponíveis também poderia ser diferente e bastante coerente com a dupla.

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O Fiat 500X tem um estilo mais urbano e esportivo, além de um pouco mais feminino. Suas linhas arredondadas contrastam com os cantos retos e o estilo parrudo e masculino do Renegade, com um resultado que o faz parecer um verdadeiro adorador de lama. O 500X se vale de uma versão Cross para incorporar elementos que o deixam com aparência off-road, já que suas versões “normais” abusam do visual de hatch bombado, algo que não é ruim já que é um artifício usado com sucesso pelo HR-V.

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Ou seja, de um lado temos um carro feito para agradar ao público feminino e urbano representado pelo 500X, enquanto do outro o Renegade, com visual mais rústico e parrudo feito para agradar mais homens. Até mesmo no interior estas mudanças são notadas, já que o Fiat aposta em um estilo retrô e jovial, enquanto o Jeep tem um ar mais informal e divertido, mas há pequenas peças idênticas nos dois.

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Mas e a mecânica? Na Europa e Estados Unidos elas são iguais entre 500X e Renegade, mas por aqui haveria espaço para diferenças que não faria com que os dois competissem diretamente. O Fiat teria a sua disposição o motor 1.4 MultiAir turbo usado no 500 Abarth, o qual rende no SUV 162 cv, sendo associado a transmissão manual de seis marchas, ou automática também com seis velocidades. Para as versões mais baratas, o 500X poderia contar com o motor 1.6 e.TorQ Flex de 117 cv, que seriam suficientes para mover seus 1320 kg, cerca de 300 kg a menos que o primo Renegade.

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A faixa de preço começaria pouco abaixo do Renegade, podendo bater de frente com as versões mais baratas de Renault Duster, Ford EcoSport e Peugeot 2008, enquanto as mais caras invadiriam a faixa de preço do Renegade, podendo até mesmo fazer uma ponte de valores entre o modelo Flex e o Diesel. O Jeep manteria sua vantagem perante a capacidade off-road, além de contar com motores mais potentes e tração 4X4.

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Há espaço suficiente para os dois sem que as vendas do Renegade sejam prejudicadas, basta apenas a Fiat entrar neste mercado disputado. Suas concessionárias já exclamam por isso, mas parece que a marca tem planos de produzir um SUV compacto totalmente nacional e independente do 500X, podendo até mesmo ser uma versão fechada da Toro, a picape média que a Fiat prepara para este ano.

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