O mercado brasileiro está recheado de modelos automatizados. Temos Fiat com seu Dualogic, Volkswagen e o câmbio i-Motion e mais recentemente a Renault com o Easy’R. Diferentemente dos câmbios CVT, automáticos ou dos de dupla embreagem, a caixa automatizada requer uma certa adaptação ao seu modo operacional e também demanda sacrifícios na hora de dirigir. Mas, afinal, você sabe dirigir um automatizado?

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Automatizado não é automático

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Vamos começar com um fato: o câmbio automatizado não é igual a um câmbio automático, e nunca será. Muitas vezes esta informação é passada de maneira errada. “Mas Autopolis, eu não dirijo igual a um automático? ” Não caro leitor. “Mas se não tem embreagem é igualzinho a um automático! ” Não é nem um pouco igual, faça um test-drive e comprove a diferença.

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As discrepâncias começam na estrutura destes câmbios. O automático conta com duas peças que trabalham juntas, as engrenagens planetárias e conversor de torque, que funciona como a embreagem, só que de funcionamento um pouco mais lento. Já os câmbios automatizados permanecem com a mesma estrutura básica do manual, contudo há um sistema eletrônico que faz as trocas e aciona a embreagem de acordo com a aceleração e rotações do motor.

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O automatizado entra em vantagem no quesito custo, já que seu desenvolvimento é bem mais barato que um automático tradicional, chegando a custar menos também para o consumidor. Outro benefício é o consumo e a performance que permanece praticamente igual. Em contrapartida, o automatizado tende a dar muitos trancos durante as trocas de marcha, além de ser um tanto quanto indeciso na hora de escolher a marcha corretamente, algo que não acontece com o automático tradicional.

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Comparando modelos da mesma categoria (hatchs compactos) os custos para serem equipados sem pedal de embreagem varia muito. Apenas Chevrolet Onix e Hyundai HB20 contam com este tipo de benefício, sendo que o coreano fica R$ 3.360 mais caro e o GM R$ 4.440. Mas vale ressaltar que o HB20 tem uma transmissão antiga de apenas quatro marchas. Do lado dos automatizados temos Fiat Palio por R$ 3.610 a mais, Fox por R$ 3.500 a mais e Sandero por R$ 3.750 a mais, ou seja, todos na mesma faixa de preço. Apenas para efeito de comparação o Ford New Fiesta (que está uma categoria acima) conta com transmissão de dupla embreagem, a qual adiciona R$ 4.500 a conta. Vitória duvidosa de custos para os automatizados graças ao HB20.

Mas, e na hora de dirigir?

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Além das diferenças técnicas e de custos, o câmbio automatizado demanda uma maneira diferente de dirigir. Por ser, em sua essência, ainda um câmbio manual, o automatizado precisa ser conduzido como tal. Ou seja, quando chegar a hora de fazer as trocas de marcha, tire o pé do acelerador para que o carro não de trancos. Acostumar com o veículo é essencial para que essas trocas sejam feitas no tempo certo, em modo de trocas automáticas. Os modelos também contam com trocas manuais das marchas, fazendo com que o motorista controle perfeitamente este tempo de resposta.

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Contudo, há de se considerar alguns fatores, geralmente os automatizados trocam de marcha a 3 mil rpm, mas esta troca pode variar para mais ou para menos, dependendo da força do pé no acelerador. Em outros casos, bastante comuns, o câmbio não troca de marcha, mesmo estando na hora dele o fazer, nestas situações vale dar o comando para a troca manual.

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Outra diferença do automatizado está na hora de parar ou sair com o carro: os automatizados demandam que, para ligar o carro, o câmbio esteja na posição N com o pedal de freio acionado. Para desligar é recomendado que ele se mantenha na posição de marcha. Uma grande recomendação é não segurar o carro em subidas com o acelerador, pois esta manobra pode superaquecer o câmbio e, consequentemente, trava-lo.

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Por fim, a hora da manobra exige um cuidado redobrado. Fiat com seu cambio Dualogic e Renault com o Easy’R possuem creeping, que é aquela pequena aceleração que os carros automáticos fazem quando o freio é liberado. Entretanto, no Renault, ela demora alguns segundos para ocorrer, podendo ser perigosas as manobras. No caso do i-Motion da Volkswagen, este creeping não existe, fazendo com que seja necessário segurar o carro com o freio de mão ou usar os dois pedais ao mesmo tempo para evitar acelerações bruscas e, consequentemente, batidas em vagas apertadas.

Confira as avaliações feitas por AUTOPOLIS com carros automatizados:

Volkswagen Gol Rallye
Fiat Bravo Sporting
Fiat Uno Way x Volkswagen Cross up!