Volkswagen Cross Up I-Motion e Fiat Uno Way Dualogic são mais parecidos do que se pensa: ambos são aventureiros, automatizados e podem encostar a faixa dos R$ 50 mil, quando equipados com todos os opcionais. O italiano se vangloria de ter o câmbio automatizado com acionamento de botões e maior espaço interno, enquanto o alemão se exibe com números invejáveis de consumo e por ser o único compacto a receber cinco estrelas no Latin NCAP.

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Afinal de contas: qual é o melhor? Qual deles tem o melhor câmbio automatizado? Qual tem o melhor custo-benefício? E qual o mais divertido de dirigir? Todas essas perguntas serão respondidas neste comparativo.

Cidadão do mundo X Ô de casa

O Volkswagen Up surgiu na Europa como um modelo global, mas foi adaptado para ser vendido no Brasil. Por aqui ele ganhou alguns centímetros a mais no entreeixos, com o objetivo de ampliar o espaço na segunda fileira de bancos e também aumentar o porta-malas. O Fiat Uno, por outro lado, nasceu como um projeto 100% brasileiro, servindo depois como base para o irmão-quase-gêmeo italiano, o Panda. Estas diferenças de origem ficam evidentes em seus projetos.

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O Cross Up tem estilo tipicamente alemão: sem grandes ousadias para agradar a todos, por isso ele conta com linhas mais elegantes e contidas, tanto por dentro quanto por fora. As molduras das caixas de roda, alinhadas ao aplique preto presente em toda extensão inferior do compacto, dão o tom do estilo aventureiro. Em adição a isso são encontrados elementos como grade inferior com nova trama e apliques cinzas, além de novas rodas de liga-leve e barras no teto.

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A proposta do Uno Way é outra: o compacto da Fiat é mais jovial e despojado no estilo. Os quadradinhos arredondados estão por todas as partes: nos elementos internos das lanternas e faróis, no desenho geral da carroceria, até mesmo, na estampa do plástico interno, o qual forma o escrito Uno. As mudanças promovidas na reestilização fizeram bem ao modelo, mas o visual aventureiro ficou suavizado com os para-choques pintados, fazendo com que as molduras das caixas de roda pretas pareçam perdidas no contexto visual do carro.

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No quesito visual, a vitória é do Cross Up.

Forma e Função X Evolução

Se o Cross Up parece mais elegante do lado de fora, na parte interna a conversa é outra. Ele segue fielmente a filosofia da Forma e Função difundida pela escola de design alemã Bauhaus. O interior é simples, contando com partes de metal exposto nas portas, como em modelos dos anos 1990. Contudo, a qualidade dos materiais está acima da média, assim como a linearidade dos encaixes. Alguns elementos destoam destas boas características, como o painel de instrumentos simplório, ausência de vidros elétricos traseiros, a improvisação feita para abrigar o sistema Maps & More e a grande região vazia em baixo da faixa colorida do console.

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A carroceria do Uno Way mudou timidamente na reestilização, mas, foi seu interior que recebeu as melhores e maiores alterações. A evolução é notável: o painel recebeu plásticos de maior qualidade e a ergonomia foi melhorada, como por exemplo, a posição dos comandos dos vidros elétricos nas portas. Agora há espaço para a central multimídia (que não é ofertada nesta versão, sendo substituída por um rádio), localizada entre as saídas de ar centrais. O pacote de opcionais BLACK & WHITE adiciona uma faixa branca emborrachada na porção central do painel. O volante conta com controles de som e do computador de bordo e oferece uma excelente empunhadura.

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Cada um possui particularidades interessantes em suas cabines. O hatch italiano, por exemplo, conta com um computador de bordo completo e de fácil operação, localizado no centro do painel de instrumentos. Outra vantagem do Uno Way é o cinto de três pontos para o passageiro central, oferecido como opcional. O Cross Up contra-ataca com o interessante Maps & More vendido como opcional. Apesar de parecer um simples GPS, ele também funciona como central multimídia, fornecendo conexão Bluetooth para celulares, computador de bordo com diversas informações, mostradores adicionais, entre outros pequenos atrativos interessantes.

Apesar da ausência de central multimídia, vitória Italiana na briga pelo melhor interior.

Razão X Emoção

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Mas é ao volante que as diferenças ficam grandes: Cross Up e Uno Way seguem por caminhos completamente distintos. O alemão tem comportamento mais arisco, graças a sua suspensão apurada e a carroceria com maior rigidez. O motor 1.0 três cilindros tem saudáveis 80 cv e 10,4 kgfm de torque. Apesar do tamanho pequeno do motor (ele é realmente muito pequeno), o Volkswagen tem retomadas rápidas quando a rotação é alta, em baixa o Uno se dá melhor. A direção elétrica é bastante eficiente nas manobras, mas a Volkswagen poderia deixa-la mais rígida em velocidades altas, para melhorar a condução em estrada.

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O Uno tem mais potência e torque, já que ele conta com um motor maior, o 1.4 EVO Flex de 88 cv e 12,5 kgfm de torque. A diferença é pouca para o Volkswagen, mostrando que o motor da Fiat já está defasado. Ao volante o Fiat transmite mais emoção, já que sua resposta ao acelerar é mais rápida. As curvas são melhores no italiano, já que é preciso mais velocidade para chegar ao seu limite. O problema é seu diâmetro de giro, muito pequeno para um carro do porte dele. Diferentemente do Cross Up que tem direção muito leve, o Uno Way conta com assistência hidráulica, deixando o modelo mais “na mão” por ter calibragem mais firme.

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O Uno Way é melhor para dirigir, mas o Cross Up é melhor para o bolso. Ele tem um dos consumos mais baixos do mercado: em um de nossos testes em estrada ele chegou a marcar impressionantes 19.4 km/l de consumo médio. O Uno ficou bem atrás, sendo que sua melhor marca foi 12 km/l, igualmente na estrada, consumo que o alemão alcança facilmente na cidade. Ao menos ambos compartilham de um interessante som produzido por seus motores.

Se preza por prazer ao volante, a vitória vai para o Uno Way. Mas se o seu bolso manda na relação, o vencedor, no quesito mecânica, é o Cross Up.

Pré-adolescente X Universitário

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As transmissões merecem um capítulo à parte nesta avaliação, já que o funcionamento deste tipo de câmbio muda completamente a experiência ao volante. Cross Up i-Motion e Uno Way Dualogic são completamente diferentes nesta área. Acredite, a diferença é gritante e, se você está interessado em um deles, vale um test-drive em ambos para comprovar esta diferença.

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O câmbio i-Motion é um pouco preguiçoso e bastante impreciso. A lentidão é percebida nas acelerações partindo da imobilidade: quando o pedal do acelerador é pressionado, o carro demora alguns segundos antes de andar. É como se ele pensasse se é uma torradeira ou um carro, se o motorista quer um pão tostado ou acelerar. As trocas de marcha não são nem um pouco suaves, são sempre acompanhadas de trancos, especialmente em altas rotações. A falta de creeping também é notável, juntamente com o delay na aceleração, faz com que manobras de estacionamento sejam um tanto quanto perigosas. Algumas vezes o câmbio se perde nas marchas, elevando muito as rotações sem necessidade ou trocando as marchas prematuramente. É como um pré-adolescente indeciso sobre o que fazer de sua vida.

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Podemos afirmar sem dúvidas que o Dualogic é o único automatizado de embreagem simples que é possível conviver. Ainda não é um automático de verdade, mas está chegando lá. Ele tem creeping e é surpreendentemente suave nas trocas em rotações baixas, em altas continua com os velhos e irritantes trancos. A opções de troca de marchas atrás do volante é um bônus a mais, uma maneira de compensar o pouco prático acionamento por botões. Ainda há o que melhorar, mas o salto tecnológico entre o que foi apresentado no Bravo Dualogic para o Uno com a mesma transmissão, mostra que a Fiat está atenta às críticas do consumidor.

O câmbio i-Motion já foi considerado o melhor automatizado de embreagem única do mercado brasileiro, porém este título hoje pertence ao Dualogic do Uno.

Dessa vez não foi gol da Alemanha

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A vitória foi apertada: 3 a 2 para a Itália, e ficou ainda mais apertada após a redução de preço que a Volkswagen promoveu no Cross Up. Mesmo assim, o compacto da Fiat é consideravelmente mais barato para comprar, custa a partir de R$ 43.994 com motor 1.4 e câmbio Dualogic, tem o melhor câmbio, além de ser mais espaçoso. O Cross Up i-Motion chegou a este comparativo em desvantagem, com preço substancialmente mais alto que o Uno Way, mas a Volkswagen tratou de ajustar seu preço e torna-lo mais atrativo, apesar de ainda ser muito caro, já que ele começa em R$ 47.130.

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Se o comparativo fosse feito com as versões manuais, talvez o resultado se inverteria, culpa do vacilante câmbio i-Motion do Cross Up. Outro fator que pesa contra o modelo alemão é seu preço irreal para a sua proposta de modelo de entrada, muito mais alto que o Uno Way com os mesmos equipamentos. O aventureiro da Fiat pode não ter o melhor motor, mas o acerto feito com o câmbio Dualogic tornou seu conjunto superior ao Volkswagen. Pesa contra o italiano a ausência de central multimídia e o consumo mais alto, mas o preço mais baixo na hora da compra acaba por compensar.

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Quer um Uno Way como o testado por AUTOPOLIS? Então prepare-se para desembolsar R$ 49.679 graças a adição de sensor de estacionamento (R$ 573), rodas de liga leve (R$ 925), kit BLACK&WHITE (R$ 535), kit Evolution 3 (R$1.551) e kit Control (R$ 1.147). Convenhamos, alguns itens totalmente dispensáveis. O Cross Up avaliado contava com pintura metálica (R$ 1.202), Maps & More (R$ 1.400), e kit de preparação para Maps & More com sistema de som (R$ 116), fechando a conta em R$ 49.848, praticamente empatado com o Uno recheado de opcionais.

Qual é o melhor para você?

Fluxograma-Comparativo

Prós e contras

Prós-e-Contras-Comparativo