Enquanto no Brasil, o mercado de subcompactos ainda é considerado de nicho e é representado por apenas cinco modelos (Volkswagen up!, JAC J2, Geely GC2, Chery QQ e Kia Picanto, com a futura adição de Fiat Mobi e Renault Kwid ainda em 2016), na Europa, praticamente toda fabricante possui um representante neste grande segmento.

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Peugeot e Citroën sempre foram famosas por seu compartilhamento de carros e, entre 1996 e 2003 as marcas atuavam no segmento de subcompactos com a dupla Citroën Saxo e Peugeot 106, este último vendido também no Brasil. A Peugeot enfrentou um hiato por dois anos até a chegada do 107, mas a Citroën foi mais rápida e tratou de lançar um novo modelo baseado no seu best-seller C3.

Em 2003 surgiu assim o Citroën C2, um subcompacto com estilo assinado por Donato Coco, mesmo designer do C3 Pluriel e da primeira geração do C4 (no hatch é considerado mais bonito que o atual modelo). Criado originalmente como um carro amigável e familiar, o C2 ganhou fama justamente por suas versões esportivas, para tanto, a Citroën considera o DS 3 como seu sucessor direto.

Citroën C2 [3]

A plataforma vinha do C3, porém o C2 era 20 cm mais curto, 3 cm mais estreito e 4 cm mais alto, além de ter apenas quatro lugares. Entretanto, diferentemente de seu irmão maior e do pequenino C1, que estreou em 2005, o C2 não vendeu bem. A culpa foi da própria Citroën: ele foi ignorado pela marca em suas propagandas, que sempre ressaltavam seus irmãos. Para tanto, diversos entusiastas e mídias apontam que o C2 foi o carro mais negligenciado da história da Citroën. De fato, ele foi deixado à própria sorte.

Citroën C2 [8]

O visual simpático do C2 também era um de seus grandes atrativos, sendo considerado até mesmo mais masculino que o C3.  A dianteira contava com faróis verticais e grade praticamente idêntica à do irmão de plataforma. Um de seus atrativos era o vidro traseiro com base desalinhada em relação ao dianteiro. A traseira reta proporcionava maior aproveitamento do reduzido espaço interno. Por dentro, o visual era 90% de origem C3, com exceção obvia das portas. Vale ressaltar que o interior do C3 europeu (consequentemente do C2 também) era levemente diferente do modelo nacional.

Citroën C2 [5]

Ao longo de seus seis anos de mercado, o Citroën C2 passou por duas mudanças visuais. A primeira ocorreu em 2005 quando ele trocou as lentes opacas dos faróis por peças transparentes mais modernas, enquanto as lanternas traseiras ganharam lente branca para luzes de ré e de direção de seta, como ocorreu com o irmão C3. Em 2008 foi a vez de ganhar novos para-choques mais esportivos.

Citroën C2 [10]

Versões para todos os gostos faziam parte do portfólio do C2. A versão de entrada LX era simples ao extremo chegando ao ponto de ter para-choques sem pintura. Apenas vidros elétricos e CD player entre os itens de série. A versão Entreprise seguia esta mesma pegada, porém sem os bancos traseiros, servindo como um modelo de carga. Mas os C2 mais desejados eram os esportivos.

Citroën C2 Enterprise [2]

Furio, VTR e VTS eram os nomes dos C2 apimentados. O C2 Furio tinha apenas o visual esportivo das versões mais caras, tanto que ele vinha equipado com três opções de motor: 1.1 de 61 cv, 1.4 de 75 cv ou 1.4 HDi diesel de 70 cv. A vantagem era o peso baixo de apenas 1.050 kg. Para honrar a sigla VTR o C2 vinha com body-kit mais agressivo, bancos esportivos e rodas de liga-leve, tudo atrelado aos motores 1.4 de 90 cv, 1.6 de 110 cv ou 1.4 diesel de 70 cv.

Citroën C2 VTR [1]

Para aqueles saudosistas dos antigos Peugeot 205 GTi e Citroën AX GTi, a Citroën oferecia o C2 VTS. Com alguns luxos a mais, ele era equipado apenas com motor 1.6 de 125 cv a gasolina ou diesel de 110 cv, ambos associados à transmissão manual de cinco marchas.

Citroën C2 VTS [6]

Com exceção do VTS, as outras versões do C2 poderiam ser adquiridas com transmissão automatizada de embreagem única Sensodrive, uma espécie de parente distante das transmissões Dualogic, i-Motion e Easy’R vendidos no Brasil. A vantagem era a troca de marchas por borboletas atrás do volante, mas o funcionamento áspero e impreciso afastou muitos compradores.

Citroën C2 Stop & Start [1]

Outra versão que chamou atenção pela tecnologia era a Stop & Start, equipada com sistema Start & Stop que desligava o veículo em semáforos para economizar combustível. O C2 voltava a funcionar com um toque no acelerador. Se hoje isso não parece novidade, já que está presente até no Fiat Uno, tente imaginar esta tecnologia presente em um veículo de volume há dez anos, como foi o caso do C2.

Citroën C2 So Chic [3]

Em 2006, a Citroën lançou duas séries especiais que podem ser descritas como as verdadeiras precursoras do DS 3, visto que ambas empregam características que foram transportadas para o hatch de luxo. O C2 So Chic (nome hoje usado pela DS) usava do visual externo esportivo do modelo VTS para se destacar, entretanto, seu grande chamariz era o interior com couro caramelo, cromados e até mesmo, ar-condicionado digital.

Citroën C2 by Loeb [2]

Se o espírito luxuoso já estava saciado, faltava compensar na esportividade: por isso a marca decidiu homenagear o piloto campeão de rally Sebastian Loeb com o C2 by Loeb. O pequenino recebia uma pintura vermelha exclusiva, novas rodas de liga-leve, body-kit esportivo, pedaleiras de alumínio, bancos com abas prenunciadas e tecido vermelho e algumas pequenas alterações mecânicas, já que ele era baseado no esportivo VTS.

Citroën C2 So Chic [2]

Segundo relatos de clubes da Citroën no Brasil, existem dois C2 rodando em solo nacional, ambos VTS, sendo um azul e outro preto. Espremido entre C3 e C1, negligenciado pela própria Citroën e sem grandes atrativos além de sua esportividade, o Citroën C2 se despediu do mercado em 2009 para dar lugar ao Citroën DS3, hoje emancipado e chamado apenas de DS 3.