Quando a onda retrô surgiu no começo dos anos 2000, surgiram diversos carros inspirados no passado. Modelos como Chrysler PT Cruiser, Volkswagen New Beetle, Mini Cooper e Fiat 500 povoaram as ruas – incluindo as do Brasil – ostentando curvas do milênio passado com uma boa dose de modernidade. Outros pouco conhecidos pelos brasileiros também surgiram, tais como Ford Thunderbird, Ford Flex, Plymouth Prowler, Chevrolet SSR e Chevrolet HHR.

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A onda saudosista perdeu força e muitos modelos foram deixados de lado. Contudo, aqueles que foram bem-sucedidos, leia-se Mini Cooper, Fiat 500 e Volkswagen New Beetle (que virou Fusca), ganharam novas gerações e até geraram derivados com uma dose mais diluída da efervescência vintage. Mas aqui vamos falar de um modelo que não é tão conhecido pelos brasileiros, apesar de ter feito uma aparição surpresa no Salão do Automóvel de São Paulo em 2006: a Chevrolet HHR.

Produzida no México de 2005 até 2011, a Chevrolet HHR era uma espécie de perua retrô projetada pelo mesmo designer responsável pelo Chrysler PT Cruiser, Bryan Nesbitt. A General Motors contratou Bryan a peso de ouro justamente por conta de seu trabalho com o hatch da concorrente. Ele também foi o responsável por outros modelos dentro da GM como o Pontiac Solstice e a sétima geração do Chevrolet Malibu, aquela que foi vendida aqui no Brasil.

A inspiração para o estilo da HHR veio dos anos 1940, mais precisamente do SUV Suburban e das picapes Advance-Design, ambos da própria Chevrolet. A inspiração fica evidente no formato quadrado do teto, pelos para-lamas arredondados, grade frontal grande e cromada, tampa traseira totalmente vertical e lanternas traseiras redondas. Até mesmo os para-choques ganhavam ressaltos simulando as antigas barras de ferro cromada presentes nas musas inspiradoras da HHR.

Indo na contramão do que se podia esperar, o interior da perua retrô era bastante moderno. O estilo duplo cockpit – que só foi aparecer no Brasil a bordo do Agile – já era marcante. O volante de três raios e estilo esportivo vinha do Cobalt e do Malibu, enquanto os comandos de ar são os mesmos usados pelos Chevrolet nacionais. Ponto negativo para as teclas de comando dos vidros logo à frente da manopla de câmbio. O painel de instrumentos também era um problema por conta de seu tamanho diminuto: culpe o estilo retrô.

O espaço interno também era uma grande virtude da Chevrolet HHR, ela contava com um generosíssimo porta-malas de 630 litros, ou 1430 com todos os bancos rebatidos. Para acomodar mais bagagem, o fundo do porta-malas podia ser deslocado formando uma prateleira, sistema parecido com o do Volkswagen up!. Algumas publicações norte-americanas, na época, elogiaram o espaço para cabeça e também a boa largura da cabine, mas o espaço para as pernas dos passageiros traseiros era mais restrito do que deveria.

A base da HHR era a mesma do Cobalt americano e o conjunto mecânico era compartilhado com outros modelos da marca. O motor usado pelas versões mais caras era o ECOTEC 2.4 de 175 cv, o mesmo do Captiva. As versões de entrada ficavam com o ECOTEC 2.2 de 149 cv. A transmissão era automática de quatro marchas ou manual de cinco. Havia uma opção ainda mais interessante: a versão SS com motor 2.0 turbo de 260 cv, mas vamos falar dela mais para frente.

A HHR foi comercializada incialmente em quatro versões diferentes: LS e LT com motor 2.2, LT e 2LT com motor 2.4. Em 2007 foi lançada a variante Panel. A HHR Panel remetia aos antigos furgões da década de 50. Os vidros laterais eram removidos, assim como os bancos. As portas traseiras permaneciam funcionais, porém apenas com abertura por dentro. A gama de versões era a mesma das versões normais da perua.

No mesmo ano chegou a versão SS com motor 2.0 turbinado de 260 cv, usado também por modelos como Chevrolet Cobalt SS e, pasmem, Fisker Karma. Aqui nada de transmissão automática, a Chevrolet HHR SS contava com um bem acertado câmbio manual de cinco marchas. A suspensão era retrabalhada para ficar mais firme e baixa, melhorando o rendimento da grande perua nas curvas, afinal não é fácil controlar uma senhora carroceria de 4,47 m de comprimento e 1,59 de altura.

O visual da versão apimentada abria mão de parte dos elementos retrô em favor de uma aparência mais moderna esportiva. Grade, retrovisores e maçanetas cromadas ficaram com as versões pacatas. Inclusive a grade frontal já contava com o formato dividido que faria parte do visual de todos os Chevrolet pelos próximos anos. O para-choque perdia o ressalto, ficava mais bojudo e apresentava generosas entradas de ar. Aerofólio e rodas de liga-leve maiores marcavam presença. Por dentro bancos concha, novo painel de instrumentos e apliques vermelhos.

Em 2010, a HHR se despediu do mercado. As vendas foram relativamente boas ao longo de seus seis anos de mercado, registrando um pico de cerca de 100 mil unidades comercializadas anualmente entre 2006 e 2008. Ela foi vendida também no Japão, onde obteve sucesso, diferentemente do México onde era fabricada e foi considerada um verdadeiro fiasco. Desde então, a Chevrolet nunca mais teve um modelo retrô além do Camaro. Uma última curiosidade? Seu nome tem como significado Heritage High Roof, que traduzido seria algo como Teto Alto de Herança.