A França conquistou sua independência monárquica no dia 14 de julho de 1789 quando a Bastilha foi tomada durante a revolução francesa. Desde então, o país comemora esta data como um marco de sua independência e também como um feriado nacional. Mas o que isso tem a ver com carros? Os franceses sempre tiveram um pensamento independente para construir seus automóveis, criando carros que apenas a ousadia insana deles permitiria.

[interlinks]

Selecionamos alguns carros modernos e outros do passado que só poderiam ser franceses. Alguns são vanguardistas tecnológicos, outros pertencem a categorias jamais exploradas ou até mesmo contam com estilo único. Deixamos de lado um dos franceses mais malucos de todos, o Bugatti Veyron que, apesar de sua origem, o projeto foi totalmente ditado e planejado por alemães.

Citroën Traction Avant

Seu carro tem tração dianteira e você prefere este tipo de layout? Então agradeça à Citroën. Em 1934 a marca introduziu o Traction Avant, o primeiro carro com tração dianteira no mundo, tanto que seu nome é a tradução em francês de “tração a frente”.  Quer outra inovação deste representante da terra do croissant? Ele foi o primeiro carro a utilizar a estrutura monocoque de chassi, hoje largamente utilizada por superesportivos. Ele viveu até 1953 quando foi substituído pelo DS, outro modelo revolucionário da marca.

Citroën 2CV

Alemães e brasileiros têm o Fusca, os italianos têm o Fiat 500 e os britânicos têm o Mini Cooper. Mas o ícone da indústria automotiva francesa e transporte de milhões de família por muitos anos foi o simpático Citroën 2CV produzido entre 1948 e 1990. Ele foi criado para motorizar diversos franceses que ainda usavam cavalos, por isso ele deveria ser barato e muito resistente. Reza a lenda que seu projeto previa que ele deveria carregar três franceses e uma cabra em seu interior. Por conta da presença do teto retrátil de lona (questão de custos), das rodas finas e do motor de apenas 9 cv, ele foi apelidado de guarda-chuvas sobre rodas.

Citroën DS

Talvez seja este o modelo mais memorável da história da Citroën, tanto que hoje da o nome da nova marca de luxo do grupo PSA. O Citroën DS surgiu como substituto do Traction Avant, e ele vou ainda mais o nível de tecnologia embarcada. Ele foi o primeiro caro com suspensão hidropneumática com estabilização autônoma a ser produzido. Ele também popularizou os faróis direcionais, apensar de não ter os ter inventado. Esta suspensão foi revolucionária no mercado e permanece até hoje, de maneira evoluída, a bordo do C5. Seu estilo também fugia totalmente de tudo que havia no mercado, com rodas traseiras cobertas e luzes de indicação de posição no teto. Ele também salvou o presidente da França Charles de Gualle durante um tiroteio, sem ter qualquer tipo de blindagem.

Renault 4

Quase trinta anos depois da Citroën lançar o primeiro carro de tração dianteira do mundo e treze anos após o lançamento do 2CV, a Renault finalmente deu sua resposta. O Renault 4 também é considerado um ícone francês justamente por sua extrema popularidade, tanto que durou de 1961 até 1992. Ele pegou as virtudes de seu concorrente e as aperfeiçoou, assim como cobriu suas falhas. Ele era maior, mais potente e mais urbano que o 2CV, por isso conquistou tantos consumidores. Mas tinha uma falha em seu projeto: as barras de torção traseiras ficavam sobrepostas uma a outra, fazendo com que o lado direito do Renault 4 fosse maior e mais alto que o lado esquerdo. Tipicamente francês.

Renault Espace

Quem foi a primeira minivan do mundo? Renault Espace ou Dodge Caravan? Para os franceses foi a Espace. Ela foi criada originalmente em 1970 pelo designer britânico Fergus Pollock, ex-Chrysler para ser vendida pela marca Talbot. Contudo, a Renault pegou para si o projeto e lançou a Espace em 1984, no mesmo ano em que a Dodge lançou sua minivan. Ela teve um início fraco, afinal era um tipo de carro ainda não existente no mercado: um modelo feito para cidades e com o máximo de aproveitamento de espaço interno possível. Mamães agradeçam à Renault quando entrarem em suas minivans.

Renault Avantime

Se a Renault criou as minivans, por que não as recriar? Em 2001 a marca apresentou a Avantime, precursora do novo estilo da marca, como o Vel Satis. Nesta época a Renault já havia consolidado a Espace e também fazia sucesso com sua irmã menor, a Scénic. Mas a Avantime apresentava uma proposta totalmente diferente, era uma minivan esportiva com apenas duas portas, sem coluna B e potentes motores V6. As portas gigantescas contavam com sistema de abertura dupla, para auxiliar a entrada em estacionamentos. A cara de conceito e a performance digna de esportivos não convenceram os compradores, e a Avantime deixou de ser produzida em 2003.

Renault Clio V6

Os franceses já produziram alguns dos melhores hot hatchs do mercado. Eles tem uma certa paixão em colocar motores grandes em carros pequenos, mas eles exageraram um pouco na proporção quando criaram o Clio V6. Ainda bem que exageraram! Ele apareceu como conceito em 1998, mas ganhou as linhas de produção dois anos depois com 1630 carros vendidos antes da reestilização e outros 1300 após as mudanças.  Ele contava com o motor 3.0 V6 de 230 cv do Laguna instalado no lugar do banco traseiro, o que o tornava um hatch compacto de tração traseira. A carroceria teve que ser toda alargada para comportar os novos pneus e o eixo mais longo. Mais francês que isso, impossível.

Peugeot 1007

Sentiram falta da Peugeot nesta lista? Eles não são muito adeptos de ousadias no nível da Renault e ainda estão muito longe das loucuras da Citroën, mas ainda tem seu lado francês. Prova disso é o pequenino 1007 lançado em 2005. Nesta época as minivans estavam dominando o mercado e eram uma verdadeira moda, como os SUVs são hoje. A Peugeot achou que seria uma boa ideia lançar um subcompacto com estilo de minivan e apenas duas portas deslizantes. No fim das contas ele era muito caro e pouco atrativo, já que custava praticamente o mesmo que um 207 na época. Saiu de linha em 2009 vendendo pouco, mas emprestou suas lanternas traseiras para a picape brasileira Hoggar que, de quebra pegou a maldição das vendas baixas de seu pequenino irmão.

DS 5

Ele nasceu como um Citroën, mas hoje já está emancipado. Ele foi o último modelo a ser lançado pela marca quando ainda era uma divisão da Citroën, mas pode ser descrito como seu modelo mais carismático. Ele não é um hatch, não é um SUV, não é um sedã, não é uma perua e muito menos um cupê, mas mescla elementos de cada uma destas categorias. Seu estilo é vanguardista e não existe nada parecido com ele, sendo este seu maior chamariz de vendas. Ele conta com quatro tetos solares independentes, console inspirado em aviões, sistema que exala perfume, entre outros componentes franceses.

Citroën C4 Cactus

Se você acompanha o AUTOPOLIS já conhece bem o C4 Cactus, mas vamos falar dele novamente. Que outra marca sem ser a Citroën criaria um carro com bolsas de ar revestidas em borracha espalhadas por toda carroceria apenas para evitar impactos e, ainda por cima, dar um toque de estilo ao carro? Adicione na conta da maluquice francesa os bancos inteiriços, painel totalmente digital, faróis divididos e o estilo meio hatch aventureiro meio SUV.