Para ter um carro a diesel no Brasil, era necessário apelar para picapes grandes ou opções específicas de SUVs igualmente grandes. Com a chegada do Jeep Renegade diesel, o brasileiro finalmente pode adquirir um carro movido a diesel por menos de R$ 100 mil e também de menor porte.

[interlinks]

A Jeep sempre ressaltou a capacidade off-road do Renegade diesel, em especial por conta da tração nas quatro rodas. A versão Trailhawk, avaliada por AUTOPOLIS, leva esta questão a um novo nível. Para usufruir do selo Trail Rated que estampa a lateral do Renegade Trailhawk, era preciso que ele, no fora de estrada, fosse tao capaz quanto o irmão Wrangler.

Mas grande parte da vida de um Renegade, mesmo os movidos a diesel e, até mesmo os Trailhawk, encararão a selva de pedra. Quais são as diferença entre pilota-lo dentro e fora da cidade? A versão a diesel compensa a diferença para a gasolina? Confira nesta avaliação.

Testeira-Visual

jeep_renegade_trailhalwk_1

A Jeep caprichou no visual do Renegade, ele nao apela para elementos como estepe pendurado na tampa do porta-malas para parecer robusto, apresentando uma carroceria de linhas quadradas e agressivas. O Renegade diesel possui diferenças visuais substanciais em relação ao modelo flex. A suspensão é elevada e os para-choques são levemente recuados nas partes inferiores, para melhorar os ângulos de ataque e de saída. No caso da versão Trailhawk, as mudanças vão além: os para-choques são ainda mais recuados, ele ganha ganchos vermelhos, aplique preto no capô e os detalhes cromados da grade e logitipos são substituídos por um tom cinza escuro fosco. Rodas de liga-leve aro 17 com pintura parcial preta tem estilo inspirado no Wrangler Rubicon.

Testeira-Interior

jeep_renegade_trailhalwk_47

Em relação ao Renegade Longitude Flex que já avaliamos, o ambiente do Renegade Trailhawk pouco muda: ele ganha detalhes pintados em vermelho e o seletor de tração na parte inferior do console. Os plásticos presentes são bem encaixados, mas poderiam ter uma qualidade um pouco melhor, se comparado com outras superfícies presentes. Os easter eggs estão espalhados por toda cabine, desde pequenos detalhes como o escalador no vidro traseiro, até o deserto de Moab escondido no descanso braço central. O estilo do interior segue o que já é visto em outros Jeep, com linhas sóbrias e arredondadas. Destaque para as saídas de ar destacadas, visualmente, do painel.

Testeira-Ambiete

jeep_renegade_trailhalwk_53

O acabamento de qualidade com superfícies emborrachadas continua lá, assim como a excelente ergonomia, com comandos de fácil acesso e bem posicionados. Destaque para o volante de boa empunhadura com nada menos que 23 botões de comando. O único revés de seu interior, fica por conta do espaço nos bancos traseiros, o mais restrito entre os concorrentes. Os bancos são muito confortáveis, permitindo que viagens longas sejam percorridas tranquilamente, inclusive no banco traseiro, apesar do espaço reduzido para as pernas. Com os vidros fechados, graças ao excelente isolamento acústico, não da para perceber que estamos a bordo de um carro diesel, apesar da intensa vibração do volante nos lembrar desta característica.

Testeira-Tech

jeep_renegade_trailhalwk_50

Derivado da plataforma CUSW do grupo FCA, o Jeep Renegade é um projeto moderno em todos os sentidos. Ele conta com algumas regalias tecnológicas que seus concorrentes não possuem, mas para te-las, é preciso pagar pelos caros kits de opcionais. Nosso Renegade contava com assistente de partida em rampa, sensor de pontos cegos, câmera de ré, Park Assist, sistema de monitoramento de pressão dos pneus, painel digital e teto solar de vidro. Na versão Trailhawk, a Jeep disponibiliza um teto de plástico removível como no modelo Longitude, avaliado anteriormente. Destaque para a central multimídia uConnect de fácil manuseio, apesar sa lentidão perceptível para resposta dos comandos.

Testeira-Ao-Volante

jeep_renegade_trailhalwk_7

O Renegade Diesel conta com direção elétrica progressiva com excelente acerto, sendo bastante firme na estrada e leve em manobras. A visibilidade é prejudicada pelas largas colunas, porém os sensores de estacionamento e o Park Assist dão conta do recado na hora da manobra. Apesar do jeitão brutamontes, o Renegade é fácil se manobrar e convive bem com as apertadas ruas da cidade.

Testeira-Sob-o-CVapô

jeep_renegade_trailhalwk_56

Junto ao motor 2.0 MultiJet diesel de 170 cv e 35,7 kgfm de torque a 1.750 rpm, ele traz consigo uma moderna transmissão ZF de nove marchas, a mesma usada no Cherokee e também no Range Rover Evoque. Durante nossos testes, a transmissão apresentou alguns trancos quando ainda estava fria. Após alguns minutos ela mostrava sua suavidade e eficiência. Em estrada, a 115 km/h a nona marcha é engatada e a rotação baixa para menos de 2 mil rpm. O silencio é total. O consumo médio ficou na casa dos 12 km/l, sendo rodados 50% em estrada e 50% em cidade

Testeira-Desempenho

jeep_renegade_trailhalwk_24

A combinação do motor diesel e da transmissão de nove marchas faz com que a versão Trailhawk não transmita a sensação de ser mais pesada do que é, como ocorre no Renegade Flex. Para economizar combustível, em situações urbanas, o Renegade larga em segunda, já que a primeira marcha serve como reduzida. A Jeep fez um bom acerto de suspensão no Renegade, ela é firme na medida certa para que as curvas sejam contornadas quase como um hatch médio, mas resistentes o bastante para aguentar a buraqueira das trilhas fora-de-estrada sem reclamar. Vale ressaltar que a versão Trailhawk teve a suspensão elevada em 20 mm devido à sua pegada de discípulo de Wrangler.

Testeira-Segurança

jeep_renegade_trailhalwk_27

O Jeep Renegade capricha no quesito segurança, com monobloco reforçado pelo uso de aço de ultra e alta resistência, além dos seis airbags espalhados pela carroceria e pelos controles de tração e estabilidade. O Renegade transmite segurança ao dirigir, graças a suspensão bem acertada e a direção elétrica calibrada na medida certa. O único ponto negativo, neste quesito, é a visibilidade reduzida, algo que a Jeep tenta compensar com seus inúmeros sensores.

Testeira-Vale-a-pena

jeep_renegade_trailhalwk_31

Na faixa de preço das versões diesel do Renegade, que vai de R$ 99 mil a R$ 150 mil, ele briga diretamente com modelos premium (Audi Q3, BMW X1, Mercedes-Benz CLA) e SUVs médios (Hyundai ix35 e Honda CR-V). Ele leva vantagem na capacidade off-road e pouco deve em equipamentos e acabamento, mas, não tem o mesmo status destes modelos. O preço da versão Trailhawk é ainda mais elevado, R$ 119.900 sem opcionais, ou R$ 133.500 como no modelo testado. Apesar de ser considerada sua capacidade off-road nos níveis do Wrangler e a economia de combustível, o Renegade se mostra uma compra muito específica, apenas para aqueles que realmente necessitem de um SUV off-road, ou preferem seu visual mais parrudo. Para os que fazem questão apenas do motor diesel, a versão Longitude pode satisfazer da mesma maneira, custando menos.

Testeira-Em-movimento-on-road

jeep_renegade_trailhalwk_0

Falar da versão Trailhawk do Jeep Renegade é obrigação falar de suas capacidades off-road, porém, mesmo o mais trilheiro dos donos desta versão, não passará nem metade da vida com o SUV compacto na lama. Apesar de todo seu aparato fora de estrada, o Renegade Trailhawk também gosta se enfrentar a selva de pedra. O que brilha aqui é seu motor diesel, com bastante torque, permitindo que ele saia bem em sinais e tenha vigor nas ultrapassagens na estrada, algo que o modelo Flex sofre um bocado.

jeep_renegade_trailhalwk_5

A suspensão também faz um bom trabalho em buracos e desníveis. Lombadas? O Renegade nem sabe o que é isso. Mesmo em velocidades mais altas que a normal para se passar por uma lombada, o pequeno Jeep passa por elas com pouco solavanco sem batidas secas. Nas curvas, o Renegade tem uma leve tendência a sair de frente, canta mais pneus com certa facilidade, mas que ele contorna com vigor de hatch médio.

jeep_renegade_trailhalwk_3

Na estrada, mesmo sendo alta, a carroceria não oscila mesmo com vento. É aqui também que o Renegade mostra que tem vocação estradeira: ele anda em silêncio e absoluto e de maneira suave, dando a sensação de estar mais lento do que de fato está. As retomadas são rápidas e, apesar da leve demora inicial do câmbio, ele deslancha com facilidade por conta do torque farto.

Testeira-Em-movimento-off-road

jeep_renegade_trailhalwk_38

“Se o Wrangler sobe parede, o Renegade Trailhawk também sobe”. Esta frase é muito difundida pelos vendedores da Jeep para promover a versão mais aventureira. E, de fato, não é conversa de vendedor. Levamos o Renegade para a mesma trilha que o Wrangler já avaliado por AUTOPOLIS  e o pequeno SUV cumpriu as mesmas provas sem reclamar.

jeep_renegade_trailhalwk_39

Ele enfrentou um pequeno trecho alagado sem exitar, assim como enfrentou muita lama sem dificuldades. Essa capacidade toda tem como protagonista a tração nas quatro rodas com reduzida, além do seletor de tração para lama, areia, neve, pedras e automático. Em trechos de estrada de terra, o Renegade transita de maneira tranquila, tal qual estivesse em uma rua de paralelepípedos.

Avaliações-P´ros-e-contras

Testeira-Avaliações-Renegade