Motor de média capacidade cúbica e moderno, baixo peso, facilidade de pilotagem e design atraente. Com esses atributos e um preço competitivo, a MT-07 chega ao Brasil como a nova arma da Yamaha para aumentar sua participação no mercado local. A naked de 700cc estará nas concessionárias em março com preço sugerido de R$ 26.990 para o modelo standard e R$ 28.490 para a versão equipada com freios ABS.

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Yamaha MT-07
» Ficha técnica

Com o novo modelo, a Yamaha quer brigar no segmento de motos urbanas médias. Nele, enfrentará a concorrência de modelos como a Suzuki Gladius 650, a Kawasaki ER-6n e até mesmo a Honda CB 500F. Disponível em três opções de cores – branco, cinza fosco e vermelho – a previsão da Yamaha é comercializar mensalmente uma média de 350 unidades da MT-07, de acordo com Marcio Hegenberg, diretor comercial da marca no Brasil.

Design ousado

“O foco principal da linha MT é o piloto. Projetamos a MT-07 para que homem e máquina estejam em perfeita sintonia e sejam apenas um. Ela foi feita para ser prazerosa de conduzir e com um design exclusivo, fora do comum”, explicou o gerente do departamento de planejamento de produto da Yamaha Motor Co., Takeshi Higuchi. Assim como sua irmã maior MT-09, a novidade conta com um design agressivo, também inspirado no lado “obscuro” do Japão. O conceito de naked é levado ao extremo na MT-07, deixando motor, quadro e outras peças completamente à mostra. O farol poligonal no modelo ajuda a compor a aparência de que ali havia uma carenagem que foi retirada, o que remete diretamente ao estilo das motos que rodam pelas ruas de Tóquio.

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A cobertura do tanque também tem tem formato poligonal e foge ao que é visto em outros modelos. Ao lado, há duas entradas de ar, que trazem os três diapasões característicos da marca e completam o visual nervoso. E assim como na MT-09, as linhas do desenho criam a impressão – correta – de que a massa está concentrada na parte dianteira da moto. A esportividade desta naked média também está presente na rabeta alta, que traz assento bipartido, e lanterna de LEDs embutida. O escapamento curto, localizado na direita da moto, também merece destaque não apenas visual, já que ajuda na centralização de massas.

Motor bicilíndrico

Em termos mecânicos, a MT-07 segue a receita de sua irmã maior MT-09, mas com algumas particularidades. A começar pelo motor de dois cilindros paralelos, ao invés dos três cilindros. Embora tenha menor capacidade cúbica, o propulsor do novo modelo também privilegia o torque em uma ampla faixa de rotações. O objetivo é tornar a pilotagem mais fácil para iniciantes, sem abrir mão da emoção proporcionada pelas acelerações vigorosas.

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Para isso o bicilíndrico de 689 cm³, com duplo comando de válvulas no cabeçote e refrigeração líquida, tem cilindros “quadrados”, ou seja, com diâmetro e curso bem próximos: 80,0 mm x 68,8 mm. Outra solução técnica foi a adoção do virabrequim crossplane com intervalos de ignição de 270° com o intuito de neutralizar o torque inercial do motor e aumentar o torque resultante da combinação de forças. Com isso, a MT-07 oferece o máximo de 6,9 kgfm a 6.500 rpm, mas grande parte disso já disponível a partir dos 2.500 giros. E a potência não ficou esquecida: os 74,8 cv a 9.000 rpm são bons para a categoria e para um motor dessa capacidade cúbica.

Leve, ágil e divertida

Montada sobre um quadro de aço com tubos de espessura variável para reduzir o peso, a MT-07 pesa apenas 179 kg em ordem de marcha (182 kg com ABS), números que lhe conferem o título de a mais leve do segmento. O conjunto ciclístico segue a proposta da família MT de ter um design atraente e ser divertida, porém com um preço razoável. Por isso, o garfo telescópico da suspensão dianteira é convencional e não oferece nenhum tipo de ajuste; enquanto o monoamortecedor traseiro fixado por links permite apenas regulagem na pré-carga da mola. Ambas têm 130 mm de curso.

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Além de leve, a MT-07 é estreita e, embora o assento fique a 80,5 cm do solo, o banco é fino na frente, o que facilita e muito apoiar os pés no chão. O guidão é mais alto e recuado do que na MT-09 e as pedaleiras foram posicionadas mais à frente e abaixo, o que faz com que se assuma uma postura semelhante às nakeds, porém com um guidão mais largo. O painel é totalmente digital e centralizado. Bastante informativo, traz velocímetro, conta-giros, relógio, marcador de combustível, computador de bordo e um útil indicador de marcha.

Primeiras impressões

Assim que se dá partida, o ronco do bicilíndrico lembra o de um motor V2 mais abafado, por consequência do intervalo de ignição dos cilindros. Na primeira acelerada, o pequeno motor responde prontamente com bastante força para colocar a MT-07 em movimento e entrar na pista para o primeiro contato dinâmico com o novo modelo.

Bastante esguia, a MT-07 parece ainda mais leve e ágil quando se está rodando com ela. Qualquer força na pedaleira ou movimento do guidão faz com a nova moto mude facilmente de direção. Afinal, o modelo não é apenas ousado no design: a Yamaha também adotou soluções inovadoras, como a menor distância entre as bengalas do garfo dianteiro (de 190 mm), o que faz dela uma moto extremamente fácil de manobrar em baixa velocidade e bastante ágil para deitar nas curvas. Nem mesmo o largo pneu traseiro – 180/55 – calçado em uma roda de 17 polegadas atrapalha nessa tarefa. Na frente, a roda de liga-leve (17 polegadas) usa um pneu 120/70.

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Mesmo que não tenha o comportamento arisco de sua irmã maior, a nova MT-07 parece responder com empolgação a qualquer toque no acelerador. Os giros crescem rapidamente e passar de marcha é fácil graças ao suave câmbio de seis velocidades. Na hora de contornar curvas mais fechadas, uma redução para terceira marcha faz com que o motor volte a responder com bastante torque – quase nem foi preciso engatar segunda na curta pista do Esporte Clube Piracicabano de Automobilismo (ECPA), no interior de São Paulo e onde foi realizada a apresentação da moto. Conforme prometido pela marca, há bastante torque à disposição desde as baixas rotações.

Já os freios, embora tenham boas especificações – disco duplo de 282 mm, na dianteira, com pinças monobloco; e disco único com pinça simples, na traseira –, oferecem uma frenagem progressiva até demais para uma pilotagem mais esportiva em uma pista, como foi o caso dessa avaliação. Em condições normais, ou seja, nas ruas e estradas onde essa naked urbana transitará normalmente, eles devem funcionar melhor.

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Após duas sessões de 30 minutos na pista, a MT-07 impressionou. Seu bicilíndrico tem caráter próprio e parece ser um motor de maior capacidade cúbica do que realmente tem, muito em função do torque abundante e das respostas imediatas. Seu comportamento ciclístico é previsível e dá pistas de que a MT-07 deva ser fácil de pilotar na cidade e consiga ser divertida na estrada.

Não se trata apenas de uma MT-09 com “menos motor”. A MT-07, a nova arma da Yamaha para abocanhar o segmento de nakeds urbanas, oferece bastante pelo que custa.