O Up já está há três meses no mercado brasileiro e vai aos poucos ganhando mais espaço nas ruas. No mês de estreia, fevereiro, foram emplacadas 2.115 unidades, número que cresceu para 3.517 em março e 5.198 em abril. A curva é ascendente, os números não são tão ruins como parecem, mas ainda está bem abaixo dos concorrentes mais emplacados e nem mesmo alcançou o número de vendas do velho Gol G4, a quem substituiu.

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A equação do custo-benefício ainda não está fechando, apesar do prestígio da marca dentre os compradores de carros de entrada. A questão é que esse tipo de consumidor não gosta de arriscar seu suado dinheiro. Ele investe apenas após ter certeza de que está comprando o melhor pelo que pode pagar. A balança pende para quem oferece mais pelo menor preço e, nesse quesito, o novo hatchback da Volks ainda precisa de ajustes.

A versão básica, a “take” de duas portas “peladinha”, parte de R$ 26,9 mil e é nesse ponto que o bicho pega para o Up, pois guarnecê-lo de opcionais nas versões básicas ou optar por versões mais bem equipadas sai caro.

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Vantagens longe dos olhos

Deixando um pouco de lado a questão mercadológica e analisando o carro isoladamente, o Up tem virtudes inerentes ao seu projeto.

A carroceria é leve e tem maior rigidez torcional e melhor comportamento em colisões graças à tecnologia de construção e ao emprego de aço de alta resistência em diversas áreas da estrutura.

A segurança também se destaca, incorporando sistema de fixação de cadeiras infantis Isofix em todas as versões e uma louvável aprovação com cinco estrelas no Latin NCAP.

Ocorre que essas qualidades estruturais são de difícil assimilação por parte do público, que ainda dá mais valor a itens de conforto e estéticos com os quais interage mais no dia-a-dia.

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Personalidade própria

O Up tem um visual “clean”, mas um pouco insosso. Não arranca suspiros, mas tem linhas agradáveis e um semblante alegre, caracterizado pela moldura preta que contorna o para-choque dianteiro e que sugere um sorriso. Aliás, o fato de ter desenho frontal diferente dos demais Volkswagen é um aspecto positivo.

As adaptações sofridas para o mercado nacional, como o aumento no comprimento e na altura das suspensões, não comprometeram a harmonia do conjunto.

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Embora simples, o interior é bem acabado e acolhe bem os ocupantes. Há espaço para cinco passageiros, embora o banco traseiro não seja muito receptivo para três adultos, a não ser que tenham baixa estatura e sejam magrinhos. O número de porta-objetos e o porta-malas de 285 litros com o sistema “save” (uma espécie de fundo móvel que permite mudar a divisão do compartimento) são suficientes para levar as tralhas da tripulação em viagens curtas.

Nas versões topo de linha, que inclui a “White Up” avaliada, o ambiente interno é descolado, com seção central do painel da cor da carroceria do carro. O pacote de equipamentos de série (também considerando a versão avaliada) é bem provido, trazendo direção com assistência elétrica, ar-condicionado, vidros, travas e retrovisores elétricos, sensor de estacionamento traseiro, faróis e lanterna de neblina, rodas de liga-leve de 15 polegadas, sistema de som com MP3, conexão com dispositivos móveis e telefônica via Bluetooth e volante de três raios com parte inferior reta, pelo preço de R$ 39.390. Opcionalmente pode vir equipado com bancos de couro sintético  com detalhes contrastantes e sistema multimídia com navegador GPS com tela sensível ao toque, o que eleva o preço para salgados R$ 41.360.

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Anda bem

Um dos maiores destaques do Up, senão o maior, é o motor de três cilindros 1.0 litro que gera 82 cv de potência e torque de 10,4 kgfm quando abastecido com etanol. O força do propulsor, aliada ao bom escalonamento do câmbio e ao baixo peso do carro (apenas 910 kg), proporcionam bom desempenho no trânsito urbano e rodoviário. O consumo médio durante a avaliação do AUTOPOLIS, com uso de etanol, em trajetos majoritariamente urbanos e com ar-condicionado sempre ligado, foi de 8,1 km/l, valor que pode ser considerado muito bom nessas condições. Segundo dados do Inmetro, o consumo médio com gasolina é de 13,2 km/l na cidade e 14,3 km/l na estrada.

O conjunto suspensão e direção tem a pegada típica dos Volkswagen. A suspensão é firme sem ser desconfortável, trabalhando em conjunto com os pneus 185/60 R15, absorve bem as imperfeições do solo e mantém o carro firme na trajetória e com pouca inclinação nas curvas. A direção é precisa e a assistência elétrica não compromete a sensibilidade do condutor.

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Uma característica interessante é o baixo nível de ruído e vibrações internas, o que deve ser creditado à rigidez do chassi que citamos acima. Com um chassi mais rígido as suspensões trabalham melhor e os pneus mantêm melhor contato com o solo, o que, além de contribuir para a melhor estabilidade, também proporciona maior conforto de rodagem.

Achar uma boa posição para dirigir não é difícil (o motorista conta com regulagem de altura do volante e do assento) e os comandos estão todos à mão. A sensação de domínio do carro é muito boa, graças às amplas janelas e ao seu formato quadradinho, que permite uma boa visualização dos contornos do veículo.

Vale destacar também algumas funções do sistema “Maps & More”, como o “Think Blue” e “infotrip”. A primeira indica o momento certo para as mudanças de marcha e a segunda apresenta de forma gráfica dados relacionados ao funcionamento do carro ao consumo. São lúdicas e didáticas, vez que vai acostumando o motorista a uma condução mais econômica e eficiente.

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Vale a pena?

O Up é um carro gostoso de dirigir, com desenho agradável, que anda bem e que gasta pouco. O escorregão fica por conta do custo-benefício. Oficialmente o Up é mais caro que quase todos seus concorrentes diretos com motorização 1.0, aí considerados o Celta e o Onix LS da Chevrolet, o Clio da Renault, o Palio e o Uno da Fiat e o HB20 da Hyundai.  Em alguns casos cobra o mesmo que modelos de motorização superior, como o New Fiesta S 1.5.

Porque disse “oficialmente” acima? Porque na hora de negociar, sempre é possível conseguir um desconto em cima do preço de tabela, uma negociação mais favorável no usado que será dado em troca e outros eventuais benefícios (sem contar uma eventual preferência do consumidor pela Volkswagen). Nesses casos o Up pode dar um salto na frente dos rivais.

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Prós e Contras

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Ficha Técnica

Volkswagen White Up

Motor: dianteiro, transversal, três cilindros em linha, 999 cm³ de cilindrada (1.0L), quatro válvulas por cilindro e injeção eletrônica multiponto.
Combustível: gasolina e etanol.
Potência: 82 cv (etanol) e 75 cv (gasolina) a 6.250 rpm.
Torque: 10,4 kgfm (etanol) e 9,7 kgfm  (gasolina) a 3.000rpm.
Taxa de compressão: 11,5:1.
Direção: assistência elétrica.
Transmissão: manual de cinco marchas. Tração dianteira.
Suspensão Dianteira: Independente McPherson com barra estabilizadora.
Suspensão Traseira: Semi-independente com eixo de torção e molas helicoidais.
Pneus: 185/60 R15.
Freios dianteiros: discos ventilados.
Freios traseiros: a tambor.
Carroceria: hatchback, 2 volumes , 5 portas, 5 lugares, tração dianteira.
Comprimento (mm):  3.605
Entre-eixos (mm):  2.421
Altura (mm):  1.500
Largura (mm):  1.645
Peso (kg): 910 Kg
Tanque (L): 50
Porta-malas (L): 285

 

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