Com o passar dos últimos anos, as marcas de automóveis substituíram, até de forma obrigatória, os motores movidos a gasolina para novos propulsores com sistema flex. Mas será que essa tendência não passa um pouco dos limites?

Quando falamos em motores entre 1.0, 1.6 ou até mesmo 1.8 a receita parece eficaz, onde a escolha pelo tipo de combustível passa a ser do consumidor, seja pelo preço mais em conta do etanol frente ao seu consumo. Contudo, o mesmo não acontece com os motores acima de 2.0, menos eficazes quando abastecidos com este tipo de combustível.

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No caso da Hilux SRV cabine dupla flex, que o AUTOPOLIS avaliou, a situação é ainda um pouco mais desastrosa já que a picape é equipada com motor 2.7 16V capaz de produzir 158 cv com gasolina e 163 cv se abastecida com etanol. Diante dos dados, o consumo desta versão assusta até os proprietários de superesportivos – que hoje vivem na era do downsizing, possuindo motores potentes e de alta cilindrada que entregam consumos extraordinariamente baixos – como o Chevrolet Camaro ou Ford Mustang. Levando em conta o computador de bordo da picape, em circuitos urbanos o consumo foi de 4 km/l e em rodovias a marca alcançada foi de 6 km/l. Os valores foram registrados rodando 100% com etanol.

Negativamente, a Hilux flex vem equipada com câmbio automático de apenas quatro marchas, sistema que força bastante para mover os 1.700 kg desta versão cabine dupla, atrapalhando o desenvolvimento do motor e prejudicando novamente o consumo. A sensação é de um carro que ainda está “amarrado”, como dizem popularmente. Não podemos deixar de citar um detalhe: nessa versão de entrada com tração 4X2, em velocidade cruzeiro o conta-giros não fica abaixo dos 3 mil rpm quando a velocidade é mantida a 120 km/h, isso porque as duas primeiras marchas são longas, mas as duas últimas nem tanto, ação que faz o motor “gritar” e, mais uma vez, interferir no consumo.

Pedro e Bino na área?

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Assim como em qualquer picape, a real vocação da Hilux está voltada para o transporte de carga na caçamba. Neste quesito a Hilux vem equipada com suspensão traseira robusta, feixe de molas além da barra estabilizadora, praticamente um caminhão. Mas é aqui onde Pedro e Bino – dupla famosa do seriado de televisão – reprovariam a Hilux, já que a marca informa carga útil de apenas 730 kg. Vale ressaltar, em comparativo, que a Chevrolet Montana carrega 768 kg, ou seja, nada de “carga pesada” por aqui se comparada a uma picape pequena.

Quando não há carga na caçamba, a Hilux tende a pular mais do que o normal, o que acaba, em um primeiro momento, incomodando os ocupantes da cabine. Isso acontece por conta do acerto da suspensão que é mais dura e reforçada.

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Não estamos dizendo que a Hilux leva de forma incômoda seus ocupantes, pelo contrário, sua cabine é ampla e muito confortável. Destaque para o conjunto de bancos e isolamento acústico. Merecem aplausos também os itens de conveniência de série na picape, são eles: ar-condicionado (silencioso), sistema de conectividade com celular via Bluetooth, sistema de navegação e ainda câmera de ré, esse último um item indispensável para um veículo desse porte.

Quanto aos pontos negativos, ao falarmos do interior, Hilux que já foi pioneira, já mostra sinais de cansaço nesta última geração. Existem falhas bobas que poderiam ser facilmente corrigidas. A iluminação dos instrumentos do painel têm coloração verde e poderia ser substituída pela cor branca, semelhante ao cluster atrás do volante. Além disso, o painel é forrado com um plástico, mesmo que de boa qualidade, mas que não tem textura e torna todo o acabamento simples demais para um carro que custa R$ 108.260.

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O peso da idade

A atual geração apareceu por aqui no final de 2011 e teve ainda uma pequena reestilização que alinhou a Hilux com os últimos lançamentos. Atualmente o modelo, que trouxe novas referências no segmento, encontra-se atrasado em relação a Chevrolet S10 e Ford Ranger, seus maiores rivais. Mas isso está prestes a mudar…

Durante essa semana a nova geração da Hilux foi apresentada na Tailândia – onde foi desenvolvida – com melhorias significativas que a coloca novamente na briga entre as melhores picapes do mercado. Ainda não existe confirmação de chegada da nova geração, motores ou versões por aqui, mas conte com a continuidade do motor flex que torcemos para que fique menos beberrão. Aproveite para tirar vantagens caso esteja pensando em adquirir uma Hilux, pois com a nova geração prestes a desembarcar por aqui, a tendência é que os preços sejam convidativos.

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Breve final

A atual Hilux flex sofre bullying por beber demais, está desatualizada em relação à concorrência tanto em nível de design quanto a tecnologia embarcada. Por outro lado, você tem a marca Toyota que justifica seu investimento, zelando pela qualidade dos seus produtos e ampla rede autorizada. A escolha pela atual Hilux flex poderá ser justificada por conta do preço – que tende a cair – pois a nova geração está a caminho. Mas se está procurando uma picape atual e que ofereça melhor performance, melhor escolher a versão diesel ou então esperar a nova geração. Hilux é uma senhora que requer atenção e gosta de ser mimada. Cabe a você chamá-la, ou não, de “vovó”.

Prós e Contras

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Vale a pena?

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