Picapes pequenas com cabine “dupla”, como a Fiat Strada e Volkswagen Saveiro, dominam as garagens de muitos consumidores que sonham com modelos maiores como Chevrolet S10 e Toyota Hilux. A diferença de porte, espaço e preço entre estas categorias é tão grande quanto o Grand Canyon. De olho na possibilidade de roubar clientes dos dois patamares de mercado, com um modelo intermediário, a Renault criou exatamente aquilo que o brasileiro queira.

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Renault Oroch
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A Renault Duster Oroch, mas vamos chamar apenas de Renault Oroch já que o nome sozinho é forte o suficiente, atinge um público que aprecia o estilo de uma picape, mas que, não necessariamente, usa a caçamba para carregar toneladas de tralha. Este aspecto é evidente quando analisada sua capacidade de carga de 650 kg, a mesma da Fiat Strada Cabine Dupla. Se ninguém reclama da picape italiana, por que reclamaria da francesa?

E por que a Renault do Brasil se deu ao trabalho de criar uma picape baseada no Duster se já havia a picape Logan pronta? Pelo simples fato: a Strada é imbatível entre as pequenas, querendo ou não. Veja a surra que a Peugeot Hoggar tomou em seus poucos anos de mercado. Além disso, se os SUVs estão na moda, aproveitar a onda é muito mais fácil. E não é que, no fim das contas, a Oroch é melhor que o Duster?

Testeira-Visual

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A Oroch não é apenas um Duster cortado com caçamba no lugar do porta-malas. Ela teve todo seu estilo revisto da porta traseira em diante, o entreeixos foi alongado, deixando o estilo bastante proporcional e parrudo. Esta sensação também é transmitida pelos para-lamas largos que, na versão avaliada, contavam com coberturas de plástico providas pelo kit Outsider. A lanterna traseira poderia ser um pouco menor, mas é coerente com as linhas avantajadas da caçamba. O que incomoda apenas é o fato de a Renault forçar a presença do nome Duster em cada canto da Oroch, colocando um desnecessário adesivo na dianteira, soleiras e tapete.

Testeira-Interior

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Nenhuma surpresa por aqui, afinal, a Oroch aproveita todo o interior do Duster reestilizado. Espere por muito plástico duro, mas de visual bastante agradável. Alguns pontos merecem destaque aqui, como teto totalmente preto (levemente claustrofóbico por isso, diga-se de passagem) e o posicionamento baixo da central multimídia e dos comandos do ar-condicionado, ultimo problema resolvido na reestilização de Logan e Sandero. Destaque para o volante de ótima empunhadura revestido em couro. O comando elétrico dos retrovisores abaixo do freio de estacionamento está mal posicionado.

Testeira-Ambiente

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Os modelos derivados da plataforma B0 (Sandero, Logan e Duster), sempre foram largamente elogiados por seu farto espaço interno e a Oroch não é exceção, apesar de ser a mais apertada da família. Ela não tem o mesmo espaço para as pernas dos irmãos mais velhos, mas ainda assim, é muito mais confortável viajar nos bancos traseiros da picape da Renault do que em uma Strada Cabine Dupla ou até mesmo algumas das picapes grandes. É fácil achar uma boa posição para dirigir, mas a Oroch perde pontos no quesito conforto por culpa dos bancos que imitam couro, muito mal por sinal. A caçamba é espaçosa, servindo perfeitamente para as cargas do dia-a-dia. Com o extensor vendido como acessório, é possível carregar uma moto.

Testeira-Tech

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A Oroch é equipada com a eficiente central multimídia Media NAV Evolution. Ela é simples de ser usada e bastante intuitiva. Além do GPS cheio de recursos, com direito a avisos de transito, a central conta com um divertido aplicativo para condução econômica. O DrivingEco pontua o motorista com até cinco estrelas em três quesitos: mudança de marchas, aceleração e antecipação. Além disso, marca uma pontuação geral de 0 a 100 ilustrada por pequenas folhas, quanto mais eficiente for a condução, melhor a pontuação.  Um ponto negativo é o computador de bordo extremamente simples e que possui um defeito grave: quando a autonomia da Oroch fica abaixo de 60 km, ela simplesmente zera o contador. Acredite, isso pode ser desesperador quando se enfrenta um transito intenso sem nenhum posto a vista.

Testeira-Ao-Volante

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Como seus irmãos de plataforma, a Oroch possui direção hidráulica com calibragem pesada. A vantagem deste acerto, aliado a neutralidade com que ela recebe as imperfeições do asfalto, é a sensação segurança transmitida na estrada. Mas nas manobras ela cobra seu preço. Apesar de ser relativamente fácil de manobrar, a Oroch é grande, ou seja, estacionar em locais apertados e vagas de shopping será uma tarefa bem trabalhosa. A Renault fez um ótimo trabalho com a suspensão traseira independente multilink, por aqui, nada de insegurança ou pula-pula na estrada, como ocorre com as picapes maiores.

Testeira-Sob-o-CVapô

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O motor 2.0 é o mesmo usado no Duster e conta com 148 cv e 20,9 kgfm de torque. Ele é associado a uma ótima transmissão manual de seis marchas com engates curtos e macios. Na prática, essa transmissão tem relações curtas, privilegiando a força em baixa rotação. Para tanto, a 100 km/h em sexta marcha, o ponteiro marca 2800 rpm. O sistema de freio, apesar de eficiente, tem um curso de pedal muito longo e barulhento. Destaque para a mola a gás para sustentar e facilitar a abertura do capô, item que nem sedãs médios possuem.

Testeira-Desempenho

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A Oroch é bastante esperta no trânsito do dia-a-dia. Apesar das saídas não empolgarem, ela ganha velocidade rapidamente sem sofrimento. O modo ECO ajuda o motorista a economizar combustível indicando a troca de marchas mais cedo. Seu rendimento é bem próximo ao do Duster, com larga vantagem para o casamento entre o motor 2.0, o eficiente câmbio de seis marchas e a suspensão traseira independe.

Testeira-Segurança

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Segurança ao rodar nunca foi o forte das picapes grandes, especialmente em curvas, mas na Oroch esqueça disso: seu acerto de suspensão e chassi faz com que curvas sejam percorridas com tranquilidade. Apesar disso, sua robustez entra em xeque ao abrir a porta: a maçaneta é muito fina e a porta é mais leve do que deveria, deixando uma sensação de fragilidade um tanto quanto perigosa nesse segmento. Uma antítese, visto o peso excessivo da tampa da caçamba. Além de airbag e ABS, não há mais nenhuma babá eletrônica, nada muito diferente das picapes pequenas com preço semelhante.

Testeira-Vale-a-pena

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Como o próprio titulo diz, Oroch é exatamente o que o brasileiro queria: não é apertada e pouco prática para cinco pessoas como as picapes pequenas, ao mesmo tempo que não é tão cara ou desnecessariamente grande quanto as picapes médias. Ela se encaixa em um exato meio termo: leva cinco pessoas com relativo conforto e carrega uma boa quantidade de carga. E ainda assim tem um preço interessante, tanto que é mais barata que uma Strada Adventure.

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A versão 2.0 Dynamique, como a testasa, apresenta o melhor compromisso entre custo e quantidade de equipamentos. O kit Outsider acaba por ser uma boa pedida para compor o visual da picape francesa. Nossa aposta? Vai dar muita dor de cabeça para as picapes pequenas, para as médias e também para o Duster. Enquanto a Fiat Toro não chega, a Renault Oroch vai se tornar o sonho de consumo de picapeiros e donos de SUVs.

Testeira-Em-movimento

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Dirigir uma Renault Oroch pode ser estranho no começo, afinal, você só se da conta que está ao volante de uma picape quando olha pelo retrovisor e se depara com uma caçamba. Outro momento em que é perceptível seu porte é na hora de estacionar, já que parte da traseira ou da frente sempre ficará para fora da vaga. A posição de dirigir é bastante alta, típica de modelos deste porte e uma característica bastante apreciada por donos de SUVs. Na cidade ela se comporta bem: apesar do tamanho, a Oroch é ágil e esperta. Seu diametro de giro é pequeno, o que ajuda bastante nas manobras e para escapar de lugares apertados. A suspensão independente filtra bem as imperfeições do asfalto e garante estabilidade para a picape. Mas não pense que ela é um Sandero R.S., nas curvas, a carroceria alta tende a sair de frente com mais facilidade.

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Na estrada, a Oroch apresenta boas retomadas, mesmo com a sexta marcha engatada. Nestas situações o piloto automático de fácil operação ajuda bastante na hora de garantir o conforto. Mesmo com carga e passageiros, a picape da Renault com motor 2.0 se comporta bem e não sente tanto o peso que carrega, trunfo do câmbio com relações curtas que garantem força para levar a carroceria com facilidade. Na cidade, a 60 km/h, o computador de bordo indica o uso da sexta marcha, fazendo com que a rotação do motor despenque para 1500 rpm. Mesmo subidas ingrimes são superadas com marchas altas.

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Em nossos testes, a Oroch marcou 8,4 km/l em circuito misto com ar-condicionado ligado sempre o modo ECO acionado na maior parte do percurso. Para um motor 2.0 e uma carroceria pesada, estes são ótimos números. Apesar disso, o computador de bordo é extremamente falho, marcando a autonomia total apenas de 10 em 10 km e ficando totalmente zerado a partir do momento em que sua autonomia baixe de 60 km. A Renault afirma que este problema já está sendo resolvido nas novas fornadas da picape.

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