O Jeep Renegade não esconde que nasceu com pretensões de assumir a liderança do segmento de SUVs compactos, apesar da liderança até o mês de maio ser do Honda HR-V, seu principal concorrente. Rumo a esse objetivo, o Renegade movimentou milhões de reais em investimentos, ganhou uma fábrica própria no Brasil e fez a Jeep renascer como uma marca de volume dentro e fora do país.

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Jeep Renegade
» Ficha técnica e lista de equipamentos

Ao menos dentro do grupo FCA, o Jeep Renegade já tem pose de carro chefe e tende a ser um dos modelos mais populares e bons de venda da empresa. Afinal, o Renegade tem atributos para justificar todo burburinho em torno de seu lançamento? Para responder a essa pergunta, o AUTOPOLIS avaliou a versão Longitude 1.8 Flex, que deve ser a mais vendida por aqui.

Bruto, mas nada rústico

Enquanto seus concorrentes utilizam plataforma e componentes de hatches compactos – como Ford EcoSport, que é derivado do New Fiesta, e Renault Duster, que vem do Sandero – o Renegade compartilha sua plataforma com o também robusto, embora mais urbano,  Fiat 500L. No Jeep, entretanto, esta base permitiu alcançar excelente comportamento dinâmico tanto no asfalto como na terra. Na estrada, ele não chega a contornar curvas como um hatch médio, mas se comporta muito bem, permitindo uma tocada mais ousada com segurança.

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A suspensão também tem seu mérito nesta característica: ela é firme sem ser dura, fazendo com que a carroceria não balance e se mantenha estável. O acerto robusto permite ao Renegade (quase) ignorar o asfalto maltratado, ruas de paralelepípedo, além dos buracos que encontra pelo caminho. Mas não abuse da versão 1.8 flex, achando que ela encara de boa uma trilha pesada: as variantes a diesel com tração 4×4 (o flex conta apenas com tração 4×2) são mais vocacionadas para a tarefa. Outro característica positiva é sua direção elétrica bastante suave, embora precisa, combinada com o volante de ótima empunhadura.

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Por outro lado, o motor é o grande “Calcanhar de Aquiles” do Renegade: o 1.8 E.TorQ EVO é uma versão melhorada do motor usado no Bravo, Linea, Doblò e Punto, e ele sente o peso do pequeno Jeep. A sensação é de estar em um carro ainda mais pesado do que ele realmente é, evidenciando que este propulsor talvez seja subdimensionado para o carro. Contudo, na linha do “é o que temos para o momento”, este é o mais compatível com a proposta do carro dentro da filial brasileira do grupo FCA. Mesmo recebendo melhorias, e o sobrenome EVO, ainda é pouco para o Renegade.

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Para tentar sanar o problema, o câmbio ZF de seis marchas tenta sempre trabalhar com rotações mais altas, chegando a reduzir para quarta marcha mesmo em leves aclives. Na cidade, seu comportamento é mais pacato, auxiliado pelas trocas quase imperceptíveis. O consumo não é nada animador: conseguimos uma média de 8,8 km/l com etanol em circuito 50% estrada e 50% cidade.

Querida, encolhi o Wrangler!

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É possível imaginar os designers do Renegade olhando para fotos do Wrangler enquanto o desenvolviam. O Jeep mais parrudo da linha emprestou parte de seu estilo para o SUV compacto, como se percebe pela dianteira com faróis redondos, ainda que estes ganharam uma pequena cobertura do capô, que os deixaram com estilo mais agressivo. O para-brisa bem vertical também é uma forte referência de seu irmão mais velho.

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Enquanto os concorrentes assumem o estilo mais urbano (2008 e HR-V), ou apelam para artifícios como estepe na traseira (EcoSport) e para-lamas bojudos (Duster) para sugerir robustez, o Renegade se diferencia por carregar características dos verdadeiros jipes em seu DNA, sem precisar de artifícios. A cabine é evidentemente superior ao que se encontrava até então na categoria, no nível do HR-V. Os materiais são bem encaixados e de qualidade, destacando a superfície emborrachada em grande parte do painel. Há também diversos porta objetos. O senão vai para o espaço restrito do banco traseiro, que fica próximo ao de um hatch compacto. Em compensação, os assentos são muito confortáveis e o dianteiro conta com bom apoio lateral. Destaque para a presença de uma tomada do tipo padrão brasileiro (opcional), bastante conveniente e útil para ligar eletroeletrônicos.

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Outra característica do modelo, e que se tornou uma marca registrada da Jeep, é a presença dos chamados Easter Eggs: pequenos elementos de estilo, na carroceria e no interior, que fazem referência à marca ou suas características. Confira, na galeria abaixo, todos os Easter Eggs do Jeep Renegade que avaliamos:

Atributos difíceis de renegar

O Jeep Renegade faz de tudo para agradar, o conforto é garantido pela combinação de mimos no interior e pelo belo visual. O ideal seria que todo esse aconchego fosse acompanhado por um desempenho mais empolgante, que só não é possível por conta do motor 1.8 flex subdimensionado para seu peso. Resultado, o SUV compacto da Jeep acaba sendo um pouco mais lento do que o ideal.  O consumo também não é uma virtude, especialmente com álcool. Se preferir (e puder) aposte na versão a diesel.

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Ainda assim, o Jeep Renegade tem condições claras de disputar o título de melhor SUV compacto da categoria, predicado também buscado pelo Honda HR-V. Resta saber quem vai ser o queridinho do público brasileiro em 2015. Que comecem as apostas.

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A dica, assim como ocorre com alguns modelos da irmã Fiat (lembra do Bravo Sporting?), é não se empolgar com os opcionais. A versão Longitude Flex avaliada por Autopolis parte de R$ 80.900, mas chega a R$ 111,120 com todos os itens opcionais disponíveis, para ficar igual ao “nosso” Renegade. Há um porém, o ótimo teto solar removível presente na unidade avaliada só será vendido ao público na versão Trailhawk, uma pena.

Pós e Contras

Prós-e-Contras-Renegade

É pra você?

Fluxograma-Renegade