Os carros chineses ainda geram muitas dúvidas e controvérsias no mercado brasileiro. Algumas marcas ainda tem muito a evoluir em seus produtos, já outras como a JAC, apresentam uma evolução notável a cada lançamento, visando agradar às exigências do consumidor brasileiro, muito mais crítico que o de seu país de origem.

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JAC T6
» Ficha técnica e lista de equipamentos

O JAC T6, o novo SUV médio com preço de compacto, comprova esta constante evolução. Ele representa um novo patamar para a marca em diversos aspectos. É evidente que ainda existem falhas, mas ele não está tão longe de alguns concorrentes. A julgar pela rápida melhora da JAC ao longo dos anos, é capaz que alguns chineses atinjam o mesmo status que hoje os coreanos se aproveitam, outrora renegados pelo mesmo motivo que hoje os “made in china” enfrentam.

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“Não parece chinês”

Durante a avaliação do JAC T6, está frase foi muitas vezes dita por curiosos que perguntavam sobre o carro. Em diversos lugares por onde passamos, o SUV chamou bastante atenção, mostrando que em design a JAC acertou em cheio. O porte avantajado de SUV médio do T6 ajuda na sensação de status superior, apesar de ainda copiar alguns elementos da concorrência. Repare na lateral do carro, não lembrou o Hyundai ix35?

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A traseira, por sua vez, busca referências mais sofisticadas, no caso do Audi Q3. Esta característica fica clara pelo formato das lanternas em LED e também pelo recorte para a placa, estilo marcante dos carros da Audi. A frente é 100% JAC, mostrando linhas elegantes e agressivas, graças ao conjunto de faróis com máscara negra, bloco elíptico e grade cromada. No geral, o T6 acaba remetendo aos irmãos J5 e J6 pós reestilização de maneira bastante positiva. Há quem tenha dito que o T6 é um dos mais belos SUVs do mercado, ainda que precise aproveitar-se de alguns elementos estilísticos dos rivais.

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Sacrifícios são necessários

Mas como a JAC consegue vender um SUV médio a preço de compacto? Simples: reduzindo a qualidade do acabamento. Isso não quer dizer que os materiais usados no T6 sejam ruins, mas estão longe do novo patamar de qualidade estabelecido no segmento dos SUVs. As peças são bem encaixadas e não há problemas de ergonomia presentes no Lifan 530 ou até no pequeno irmão J2. Há concessões de equipamentos também: o JAC T6 não tem piloto automático e nem ar-condicionado digital, itens que já são encontrados até em carros mais populares.

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Ainda no interior há evidencias de um botão de partida do motor e também de teto solar, equipamentos que não são ofertados por aqui, infelizmente, pois seriam diferenciais interessantes para o modelo. Já se foi o tempo em que os chineses sempre tinham mais itens de série que os rivais. Algumas peças têm acabamento em preto brilhante que contranstam com as linhas em tons de marrom disfarçando – de modo eficaz – a simplicidade dos plásticos mais rigidos. Tal solução ajuda a transmitir uma sensação de refinamento deixando a cabine em geral mais coerente com seu exterior.

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Por ser um SUV médio o T6 tem evidente vantagem perante seus concorrentes no quesito espaço interno, tanto pela ampla cabine quanto no porta-malas de 610 litros. Um fato curioso, nessa avalição, é que o T6 (assim como a minivan J6) possui dois puxadores de porta. Será que é feito para pessoa a com mais de dois braços? Brincadeiras a parte, tal recurso até se torna útil caso pessoas de portes diferentes utilizem o veículo, dando mais possibilidades na hora de abrir ou fechar a porta.

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Oxe, bichinho arretado!

Uma das virtudes do T6 é seu conjunto mecânico. O motor 2.0 aspirado JetFlex tem saudáveis 160 cv e 20,6 kgfm de torque é o mesmo usado pela J6 e confere ao SUV da JAC bastante agilidade. Mas existem duas ressalvas em relação a este motor: primeira, o consumo é alto, marcando cerca de 7,5 km/l em circuito misto. A segunda é o seu ronco característico mas, ao menos, o bom isolamento acústico abafa a “sinfonia”. Ainda assim, sentimos saudades do 2.0 turbo do modelo chinês que já avaliamos e que deverá ser importado no ano que vem junto a uma versão aspirada com câmbio CVT.

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Para a categoria a qual o T6 se insere, não contar com câmbio automático é praticamente um pecado mortal. Apesar disso, o câmbio manual de cinco marchas tem engates curtos que, auxiliado pelo motor eficiente, instigam uma condução mais dinâmica. Falta ainda um pouco de precisão nas trocas de marcha que, por vezes, se mostraram ásperas. A ausência de sensibilidade no início do curso do pedal do acelerador também é algo a se destacar.

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Se a combinação de motor 2.0 e câmbio manual parecem promissoras para um SUV com tocada esportiva, pode tirar o cavalinho da chuva porque a suspensão não colabora com esta ideia. O T6 não balança tanto quanto uma Toyota Hilux, mas também não é tão firme quanto um Jeep Renegade. Neste ponto, será mesmo questão de gosto e adaptação. Um test-drive poderá ajudar você a decidir.

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Por falar em suspensão, fazer curvas com o T6 não fogem muito dos demais SUV que temos no mercado. A tendência a inclinações acentuadas da carroceria está presente, ao mesmo tempo que ao passar por terrenos mais acidentados, buracos e lombadas com um pouco mais de velocidade é possível perceber que a absorção dos impactos poderia ser melhor. Se a sensação de insegurança é comprometida pela suspensão, ao menos os eficientes freios a disco nas quatro rodas tentam compensar.

Quem sabe brincar, desce para o play

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O JAC T6 tem virtudes e qualidades que o configuram como um verdadeiro concorrente dos SUVs compactos. Assim como em qualquer modelo, algumas ressalvas devem ser feitas e, no caso do SUV “made in China”, é preciso abrir mão de um acabamento mais refinado e do câmbio automático (esta última ressalva será resolvida no ano que vem). Por outro lado, você leva um carro com um motor de boa potência e torque, além de um farto espaço interno.

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Por R$ 69.990 é possível levar o T6 de entrada, que já conta com itens como farol com acendimento automático, ar-condicionado, retrovisores elétricos e rodas de liga-leve. Na versão mais completa de R$ 75.670 avaliada por AUTOPOLIS, o T6 ganha central multimídia, cromados pela carroceria, câmera de ré, retrovisores com rebatimento elétrico e barras no teto. Se sua necessidade é de espaço e de um motor mais potente, mas seu orçamento não chegou no patamar doa SUVs médios, olhe o JAC T6 com carinho, vale a pena conhecê-lo.

PRÓS E CONTRAS

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VALE A PENA?

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