O JAC J5 sempre foi o membro mais discreto da família. Não é descolado como o J2, popular como o J3 ou versátil como o J6. De certa forma, essa foi uma política imposta pelo próprio importador, que concentrou seus esforços nos segmentos de maior apelo. Um pouco injusto, pois o J5 é um sedã bem apessoado, honesto e bom de dirigir, ainda que tenha um motor um tanto subdimensionado e não disponha de versão flex e câmbio automático.

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Seu principal apelo continua sendo a lista de equipamentos de série bastante completa. Por outro lado, os R$ 65.990 iniciais cobrados atualmente o colocam perigosamente perto de sedãs médios de marcas tradicionais, como Nissan Sentra e Renault Fluence.

AUTOPOLIS avaliou o JAC J5 reestilizado, conferiu as novidades e traz para vocês todos os prós e contras do sedã chinês.

Testeira-Visual

O J5 se garante pelo desenho bem traçado e porte avantajado. O novo modelo, apresentado no Salão do Automóvel de 2014, incorporou mudanças pontuais, mas bem interessantes, que ajudaram a reforçar sua personalidade e até agregar mais imponência.

A frente ficou mais arrojada, com novos faróis, grade e para-choque, além da adoção de luzes diurnas iluminadas por LEDs, emolduradas junto aos faróis auxiliares. Os filetes cromados nas alterais da placa são um tanto controversos.  Na traseira, destaque para as novas lanternas, que ficaram maiores e ganharam um formato mais moderno. Tampa do porta malas e para-choque também são novos. Na lateral, nada mudou, exceto pelo novo desenho das rodas.

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Testeira-Interior

O interior ficou mais requintado. O painel tem desenho mais moderno e exagera menos nos elementos brilhantes no estilo “black piano”. O visual mais bem cuidado se estende para a forração das portas e console central. O acabamento melhorou consideravelmente, com emprego de plásticos de aspecto superior e texturas mais elaboradas.

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Um dos destaques do J5 é o excelente espaço interno, especialmente para quem viaja no banco traseiro, que tem espaço de sobra para as pernas mesmo com os bancos dianteiros totalmente recuados, característica creditada aos 2,71 m de distância entre eixos. O novel de ruído também caiu, graças à melhora no isolamento acústico.

É um carro que acomoda bem cinco passageiros, possui um ar-condicionado digital valente (embora não seja de duas zonas) e um sistema multimídia capaz de reproduzir áudio a partir de “pendrives” e outros dispositivos móveis, embora a sincronização telefônica via Bluetooth não seja das mais intuitivas. O porta-malas de 460 litros também dá conta do recado.

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O JAC J5 tem como principal mimo tecnológico a central multimídia com tela sensível ao toque. É um equipamento que incorpora boa dose de recursos e ainda reproduz a imagem capturada pela câmera de ré. O sistema de som com seis alto-falantes também merece destaque.

Outros itens presentes no modelo antigo permanecem, tais como vidros, trava e retrovisores elétricos e sensor de ré.

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Não é difícil achar uma boa posição de dirigir no JAC J5, que acomoda bem o motorista e não se torna cansativo mesmo nos trajetos mais longos. O volante tem boa empunhadura e a direção hidráulica é precisa, sem ser demasiadamente macia. A suspensão proporciona rodar macio sem comprometer a estabilidade, permitindo contornar curvas com boa sensação de segurança. O câmbio tem engates um pouco ásperos  e o marcadores de combustível e temperatura poderiam ter uma escala mais precisa.

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Esse é o maior ponto fraco do JAC J5. O motor 1.5 possui 125 cv, 15,5 kgfm de torque a 4.000 rpm e não pode ser abastecido com etanol, o que complica um pouco as coisas. Sobre o câmbio, a falta de opção automática, ao menos como opcional, é estranha no segmento. Contudo, isso não chega a macular o carro, vez que ele busca um consumidor emergente, que não faz tanta questão do equipamento.

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Mesmo quem dirige de forma tranquila vai desejar um pouco mais de agilidade. Os 125 cv podem até parecer suficientes, apesar dos mais de 1.300 kg de peso, mas os 15,5 kgfm de torque a altos 4.000 rpm deixam o carro um pouco lerdo. Isso exige que, em alguns momentos, a condução seja feita de forma semelhante ao que se faz com carros 1.0, caprichando na pressão do acelerador e fazendo constantes reduções de marcha.

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O J5 traz o pacote de segurança básico obrigatório que inclui freios ABS e airbags frontais. Os bancos traseiros possuem cintos de segurança de três pontos e, para as manobras, o motorista conta com câmera de ré e sensores de estacionamento.

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O JAC J5 tem um jeito “Santanão” de ser, o que, para alguém como eu, que começou a dirigir nos anos 1980, é uma virtude. Ele é grande, espaçoso, acomoda bem ao volante e é gostoso de dirigir. No transito urbano ele se vira bem, sendo fácil de manobrar e estacionar (especialmente pela presença da câmera de ré e sensores de estacionamento), além de tratar oferecer conforto no para e anda do trânsito. Na estrada, quando embala vai bem, mas exige atenção em retomadas, especialmente em condições de ultrapassagem, quando é preciso reduzir e acelerar com vontade.

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Com preço básico de R$65.990 o JAC J5 vem bem equipado, tem garantia de seis anos, mas peca pelo motor fraco e por não ser flex. O câmbio automático é uma ausência notada, mas não chega a comprometer, como foi dito acima. É um carro de oportunidade: a opção por ele depende muito da negociação no balcão da concessionária (quanto pagarão no seu usado, preço de seguro e outras vantagens eventuais). Nas versões mais caras (Pack 2 e Pack 3) o preço se eleva muito e fica difícil fazer uma compra vantajosa. Como semi-novo, pode ser uma excelente opção.

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