Lançado em 1997, o Ka foi um divisor de águas para a Ford. Seu estilo ousado e moderno deu o tom para todos os outros modelos da marca. Ele foi o precursor da filosofia de design chamada, na época, de New Edge. Além do visual, o Ka se destacava por seu porte diminuto e também por sua condução “de kart”. Em sua segunda geração, ele tomou rumos diferentes no Brasil e na Europa. Por aqui manteve parte de sua plataforma, mas ganhou componentes do Fiesta para poder crescer e ganhar espaço interno. Na Europa, manteve o porte, porém passou a ser derivado do Fiat 500, abandonando sua personalidade e a elogiada dinâmica.

[interlinks]

A verdadeira revolução do Ka aconteceu em 2014, quando ele assumiu, de fato, o posto de carro de volume da Ford, substituindo não apenas sua própria segunda geração, como também, o Fiesta Rocam. De maneira indireta, o novo Ka manteve boas características do antigo Fiesta e, de forma mais direta, incorporou o mesmo DNA do New Fiesta, de quem compartilha a plataforma e muitos componentes.

Um valendo mais que dois

Além de compartilhar suas plataformas, o Ka e o New Fiesta compartilham também diversos traços de estilo, embora haja diferenças fundamentais. No Ka, o espaço para passageiros é melhor aproveitado, embora tenha porta-malas menor, se comparado a seu irmão maior. O habitáculo mais espaçoso é algo que agrada aos donos de Fiesta Rocam, que não encontraram tal virtude no New Fiesta. Pessoas altas conseguem se acomodar sem aperto no banco traseiro, mesmo que os dianteiros estejam recuados.

A cabine passa a sensação de pertencer a um modelo superior, remetendo ao EcoSport e, mais uma vez, ao New Fiesta, com muitos elementos visuais semelhantes e peças compartilhadas, como é o caso do volante. Os revestimentos tem texturas diferentes e peças bem acabadas, revelando uma considerável evolução em relação ao Fiesta Rocam. O painel de instrumentos é um pouco pequeno, revelando a origem simples do modelo. Uma solução mais interessante seria adotar o mesmo layout dos irmãos maiores ou instrumentos digitais.

Destaque para o console central, com um belo arranjo para o sistema SYNC, embora lhe falte uma tela sensível ao toque, que estão se tornando comuns mesmo em carros menos sofisticados. Ainda assim, tem o trunfo de oferecer comandos de voz intuitivos e o assistente de emergência. Um detalhe curioso é a presença de quatro porta-copos no console central.

ford_ka_021

De entrada, sim. Rústico, não

Diferentemente das versões básicas de alguns de seus concorrentes, como Volkswagen Up, Chevrolet Onix e Hyundai HB20, o Ford Ka tenta não parecer tão franciscano em sua variante de entrada. Desde a SE, ele aparenta ser um pouco mais sofisticado, graças a detalhes pequenos, mas que fazem a diferença, como maçanetas pintadas na cor da carroceria, coluna B com acabamento preto e rodas aro 15 (apesar das calotas).

O Ka é um carro bonito, beneficiando-se da atual identidade visual típica da Ford. A grade estilo Aston Martin, de grandes proporções, se destaca e forma um conjunto harmonioso com os faróis, o que lhe deu personalidade. A lateral exibe linhas bem demarcadas e a traseira é alta e volumosa. As lanternas trazem inspiração no Focus, ao mesmo tempo que nos fazem lembrar vagamente de Onix e Gol. Um detalhe que pode incomodar os mais exigentes são as rodas de liga-leve de 15 polegadas, iguais as do New Fiesta SE. Um conjunto com desenho exclusivo passaria menos a impressão de que elas foram emprestadas do irmão maior.

ford_ka_023

Cresceu, mas não aprendeu a beber

O Ka cresceu e ganhou as credenciais necessárias para participar do concorrido segmento de hatches compactos. Isso teve seu preço, pois o carro perdeu de vez o aspecto diferenciado e as reações de kart que caracterizavam a primeira geração. Mas não pense que ele deixa de arrancar alguns sorrisos de quem o dirige, mesmo na versão 1.0. A direção elétrica ágil em manobras, sem ser muito macia, e as suspensões mais firmes, formam um bom conjunto, transmitindo uma boa sensação de controle e estabilidade.

Um item disponível na versão SEL e que merece destaque é o assistente de partida em rampa, normalmente disponível apenas em carros mais caros. Caso a marcha esteja engatada, os freios permanecem acionados por um tempo mesmo quando se tira o pé do pedal.  Com isso, não há risco do carro escorregar para trás em subidas. O sistema também atua em manobras de ré, mas vale ressaltar que se o câmbio estiver em ponto morto o assistente é desativado.

O baixo consumo de combustível é um destaque do tricilíndrico 1.0. Em nossos testes, o hatch alcançou boas medias, chegando a ótimos 20 km/l na estrada e 13,5 km/l na cidade, sempre abastecido com gasolina. Segundo os dados do Inmetro, abastecido com etanol o consumo urbano é de 8,9 km/l e de 10,4 km/l em estrada. A potência, de 85 cv com etanol e de 80 cv com gasolina, proporcionou boa agilidade no trânsito urbano. Embora vibre mais que um motor de quatro cilindros (e mais que o de três cilindros da Volkswagen), o  novo propulsor da Ford não nos faz sentir saudades do antigo e apresenta certas vantagens até sobre o velho 1.6 Rocam do velho Fiesta (que embora fosse potente, era um tanto beberrão).

Na estada, o Ka tem desempenho condizente com sua proposta, mostrando-se estável e satisfatoriamente veloz. Altas velocidades, contudo, não são obtidas sem ruido. Mesmo em quinta marcha, o motor é um tanto gritão, o que compromete um pouco o conforto acústico dos ocupantes.

ford_ka_025

Bem resolvido

Uma das virtudes do Ka é seu pacote recheado de itens de série desde a versão básica SE, que conta com ar-condicionado, direção elétrica, sistema multimídia Ford MyConnection. A SE Plus adiciona vidros elétricos traseiros e sistema SYNC. Por fim a versão SEL incorpora rodas de liga leve aro 15, faróis de milha, assistente de partida em rampa e assistente de emergência, controle de tração e estabilidade,  faróis de milha e retrovisores com controle elétrico. Fica devendo o sensor de estacionamento, oferecido de série no Volkswagen Move Up TSI que custa exatamente o mesmo preço.

Ainda assim, na média, o Ka tem bom custo-benefício. É um carro econômico, gostoso de dirigir, espaçoso e tem um belo estilo. Apesar do nome, o novo Ka cumpre muito bem o papel de substituto do Fiesta Rocam (além, claro, do próprio Ka antigo), pelo espaço e o apelo familiar que agregou. São as virtudes de um carro que nasceu para valer por dois.

ford_ka_034

Prós e contras

Pr´´os-e-contras-Ka

Vale a pena?

FLuxograma-Ka