Veterano e um dos mais importantes representantes do segmento de aventureiros urbanos, o Volkswagen CrossFox chega neste ano com novidades visuais no interior e exterior, além de estar mais tecnológico. Contudo, o grande destaque do modelo está no novo conjunto mecânico. O motor MSI 1.6 16V flex é o mesmo já presente nos modelos Saveiro Cross e Gol Rallye, que gera 120 cv de potência e conta com torque de 16,8 kgfm – quando abastecido com etanol – deixando a condução muito mais divertida. Para melhorar ainda mais o rendimento e, principalmente, a economia de combustível, a Volkswagen também disponibiliza no CrossFox uma transmissão manual de seis marchas. Mas as mudanças positivas aparecem acompanhadas dos preços mais caros, partindo de R$ 61.450 na versão manual e R$ 68.810 na I-Motion.

[interlinks]

AUTOPOLIS avaliou a versão manual recheada de opcionais em que o preço final ultrapassa os R$ 70.000. Claro que o “banho tecnológico” é o grande responsável pelo preço salgado, o que nos levou a seguinte questão: será que toda essa tecnologia embarcada no pequeno aventureiro vale o investimento? É o que vamos descobrir.

O que os olhos veem…

crossfox-2015-26

Assim como nas gerações anteriores, o CrossFox muda em alguns detalhes em relação ao seu irmão em traje “comum”. Para começar, a versão aventureira está 4,8 cm mais alta graças a um acerto na suspensão e em sua geometria, além de ter pneus de maior perfil. Outro destaque que merece atenção diante do CrossFox está nos novos parachoques dianteiros mais robustos.

Esqueça os faróis de neblina redondos que marcavam toda a linha Cross. Assim como no conjunto óptico, todos os elementos são quadrados nessa nova geração – tendência da Volkswagen desde o lançamento do novo Golf –, o que confere um ar mais agressivo de modo geral. Na traseira, a Volkswagen decidiu aumentar o aplique plástico que sustenta o estepe na tampa do porta-malas. E nas laterais as molduras das caixas de roda se juntam às portas e trazem um aplique cromado chamado de “Chrome Effect” que completa o visual diferenciado. Também pela primeira vez, é possivel escolher pneus de 195/55 R16 ao invés do tradicional 205/60 R15.

O corpo sente

crossfox-2015-05

Muitas vezes pagamos por detalhes que não estão ao alcance dos nossos olhos, mas são essenciais para situações extremas. Pela primeira vez, o CrossFox recebe um importante item de segurança, o controle eletrônico de estabilidade (ESC), que reconhece uma situação de rodagem crítica e até a reação do motorista para, se necessário, reduzir o torque do motor e realizar frenagens até que a trajetória normalize.

O controle de estabilidade também conta com a função Off-Road, que pode ser acionada no painel. O recurso é muito interessante caso a palavra ‘Cross’ seja levada a sério: o sistema ajuda em estradas não pavimentadas. Assim que ele é ativado, o software envia informações ao ESC e ao ABS que provocam um bloqueio eletrônico do diferencial. Pode não parecer algo grandioso, mas pudemos comprovar a eficiência do sistema na prática.

crossfox-2015-08

Outros destaques importantes são a direção elétrica Easy Drive, o controle de partida em rampas, controle de tração, entre outros. Para itens de conforto e conveniência o modelo aventureiro oferece o Park Pilot – sensores de estacionamento traseiro e dianteiro – volante multifuncional revestido em couro, sistema multimídia com I-System e Eco-Comfort e que conta ainda com tela de 5,5 polegadas sensível ao toque e integração do GPS (opcional).

Agregando valor

Ao contrário das gerações anteriores nas quais apenas víamos mudanças praticamente estéticas, o CrossFox 2015 é um carro diferente. A sensação é sentida tanto para quem dirige quanto para os passageiros – até parece slogan de publicitários que tentam reforçar as qualidade de um modelo –, mas a realidade é justamente essa. Ao entrar no carro, o primeiro contato impressiona por haver pouca lembrança em relação à geração anterior e, ainda mais, por se distanciar completamente da primeira geração apresentada em 2005. Os dez anos de mercado fizeram o CrossFox amadurecer consideravelmente.

crossfox-2015-39

Nesta avaliação decidimos levar o carro ao extremo. Rodamos boa parte em trechos urbanos, mas também experimentamos essa tecnologia em condições nas quais a prima Amarok se sentiria mais à vontade.

O novo motor, sem dúvida, coloca o CrossFox em um patamar diferenciado. Na cidade, a raposa está mais esperta, silenciosa e ao mesmo tempo mais suave. Todas essas novidades mecânicas são sentidas no cotidiano ao passar pelas irregularidades do asfalto, lombadas e quebra-molas, já que a suspensão típica da Volkswagen tende a ser mais firme.

crossfox-2015-34

Fazendo curvas ele pouco muda em relação ao Fox. Claro que existe uma inclinação maior devido à elevação do centro de gravidade, mas nada que prejudique a estabilidade do aventureiro. Outro ponto positivo é a direção – que conta com assistência elétrica – e deixa as manobras mais fáceis em baixa velocidade, ficando progressivamente mais firme quando se dirige mais rápido.

Falando nisso, em trechos rodoviários, com a sexta marcha engatada e velocidade de 120 km/h, a rotação fica um pouco acima dos 2.500 rpm, o que acaba economizando combustível de forma eficiente. Chegamos a uma média rodoviária/urbana de 10,5 km/l, sempre rodando com etanol.

crossfox-2015-49

Quando o assunto é off-road, ao contrário das gerações anteriores, o CrossFox 2015 finalmente está preparado para enfrentar trechos um pouco mais complicados, nos quais o barro predomina.

Colocamos a raposa de volta às origens e ela se esbaldou na lama. Aqui, uma obviedade: mesmo com sistemas aprimorados, o carro não é capaz de encarar trilhas médias ou pesadas. Sendo assim, fizemos um circuito simples, em um dia chuvoso e sem subidas muito íngremes, mas que certamente um carro com tração dianteira sem os sistemas eletrônicos do VW teria mais dificuldade. Arriscamos, inclusive, dizer que se esse teste fosse feito com a geração anterior do CrossFox o resultado seria outro, pois a atual encarnação do hatch se saiu bem.

crossfox-2015-17

A resposta

Voltando à questão inicial: será que toda essa tecnologia embarcada no pequeno aventureiro vale o investimento? Depois de dez anos a Volkswagen realmente criou um aventureiro urbano de verdade, capaz de suprir tudo o que se espera de um carro nos afazeres do dia a dia e se mostrar robusto para pegar trechos levemente complicados fora da estrada. Seria ótimo, mas é impossível deixar de dizer que o preço acaba estrangando um pouco a graça.

crossfox-2015-20

Dificilmente a escolha de um CrossFox carregado de tecnologia será tomada por vias racionais. E isso ocorre não pelo carro em si, mas pela faixa de preço na qual o modelo está atuando. Os atuais preços acabam por esbarrar em concorrentes que não existiam. Não estamos falando de Sandero Stepway ou Hyundai HB20X – que custam bem menos –, mas sim de modelos como Honda HR-V, Jeep Renegade e Ford Ecosport que estão posicionados um degrau acima.

Trocando em miúdos, o CrossFox finalmente atingiu a maturidade e se vale de consumidores fiéis: há quem diga que não troca seu CrossFox se não for por outro. O carro está melhor do que nunca, principalmente em relação aos seus concorrentes diretos citados acima. Fica difícil, contudo, recomendar o modelo considerando o que a Volkswagen cobra por ele.

Prós e Contras

Prós-e-Contras-CrossFox

Vale a pena?

Fluxo-CrossFox