Por que investir R$ 209.900 em um carro que só carrega com conforto dois ocupantes e deixa de lado equipamentos hoje comuns como câmera de ré? A abordagem faria sentido se o veículo em questão fosse criado para ter um apelo racional. Não é o caso: trata-se do Audi TT, modelo nascido em 1998 – e que atualmente se encontra em sua terceira geração – com a única função de empolgar. E, como veremos adiante, a nova encarnação do pequeno esportivo cumpre com louvor essa missão, até mesmo antes de você entrar nele e acelerar.

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No Brasil, o carro é vendido em duas versões de acabamento: Attraction e Ambition, ao custo de R$ 209.900 e R$ R$ 229.900, respectivamente. AUTOPOLIS avaliou a variante mais completa, que traz a mais Rádio MMI Plus com sistema de navegação; ar-condicionado automático integrado nas saídas de ar; sistema Audi Drive Select, que muda os modos de condução do carro; faróis totalmente em LED; e rodas de alumínio de 19 polegadas. O sistema de som da unidade testada levava a assinatura da marca dinamarquesa Bang & Olufsen e torna o interior do Audi TT uma sala de concertos em miniatura. Esse conjunto, com amplificador de 14 canais e 12 alto-falantes, é oferecido como opcional integrando o Pacote Advanced, que traz ainda sistema Keyless e sensor de estacionamento dianteiro, por R$ 10.000 a mais.

Visual magnético

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Antes de chegar até o interior, porém, vale comentar sobre a evolução pela qual a aparência externa do carro passou, As linhas arredondadas da primeira geração, que já haviam sido “achatadas” na segunda encarnação do modelo, estão mais retas do que nunca. Da mesma forma, as superfícies lisas da carroceria deram lugar a vincos mais demarcados. A frente passou a adotar um visual extremamente agressivo, mais até do que o visto no superesportivo R8. Uma proeminente grade, somada aos faróis afilados e com contornos em LED, dão cara de mau ao Audi TT. Atrás, lanternas também repetem a agressividade e formam um belo conjunto com a linha de luzes que faz o papel de brake light, localizada logo abaixo do aerofólio escamoteável. Em suma: se você quer discrição, passe longe do TT.

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Em tamanho, o Audi TT cresceu 1,3 centímetro em comprimento (4,19 metros) e 3,7 cm no entre-eixos (2,50 metros), enquanto perdeu 1 centímetro de largura (1,83 metro) e 0,9 centímeto na altura (1,34 metro). O carro utiliza a plataforma MQB do Grupo Volkswagen e tem carroceria construída de forma híbrida, com alumínio e aço de alta resistência. Na nova geração, a marca alemã afirma que utilizou cinco tipos diferentes de aço e três de alumínio. A meta foi aumentar a rigidez do conjunto, a segurança e reduzir o peso: em relação à segunda geração do carro, são cerca de 50 kg a menos, dependendo do nível de equipamentos, chegando aos 1.330 kg.

Ao motorista o que é do motorista

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Comumente dizemos que um carro “trata bem seus ocupantes” quando oferece conforto e doses de comodidade. O Audi TT segue essa cartilha em partes, já que seus bancos dianteiros – com formato de concha e, na versão avaliada, revestimento em Alcantara – acomodam bem o corpo e são reguláveis eletricamente. É como vestir aquela calça jeans antiga que virou um item de estimação. Ignore, contudo, o espaço traseiro: ele é meramente ilustrativo e crianças podem, no máximo, caber no local, sem o menor conforto. E aqui, se o leitor permite, relato uma experiência pessoal: acessar o espaço para fazer as fotos da cabine que você acompanha nesse texto foi um momento, no mínimo, dolorido e tortuoso. Vamos considerar, portanto, o Audi TT como um carro para levar duas pessoas.

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Daí em diante, o TT se volta totalmente ao seu condutor. A começar pelo novo sistema Audi Virtual Cockpit, que fornece todas as informações do sistema de infoentretenimento diretamente no painel de instrumentos do carro, totalmente digital. Surpreendentemente fácil de ser operado, é um espetáculo visual para o motorista, mas apenas para ele: o passageiro fica alheio a qualquer tipo de informação.

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Caso queira, por exemplo, saber a música que está tocando no momento, terá que perguntar ao motorista. É uma dose de egoísmo típica de um carro esportivo. Apesar de prático e belo, o sistema poderia contar também com câmera de ré, já que a visibilidade traseira do Audi TT, com o vidro bastante inclinado, não é das melhores.

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Você pensou, ele vai

A beleza do quadro de instrumentos, a falta de câmera de ré, o espaço ilusório da traseira, as linhas agressivas… Tudo isso fica em segundo plano na hora de andar com o carro. E é nesse momento que o Audi TT se torna uma experiência extremamente orgânica e empolgante. Nas versões “civis” (tradicionalmente a Audi lança duas variantes mais apimentadas do carro, a S e a RS), o modelo é equipado com um motor 2.0 TFSI. A sigla alude à injeção direta de combustível e ao turbo. São 230 cv de potência e 37,73 kgfm de torque (esse último, disponível entre 1.600 e 4.300 rpm), capazes de levar o pequeno esportivo aos 100 km/h em 5,9 segundos. O número não é brilhante, mas, ao volante, parece ser menor, tamanha a disposição para acelerar do Audi TT. A máxima é limitada eletronicamente a 250 km/h, a tração é dianteira e o câmbio é um automatizado de dupla embreagem e seis marchas S tronic. Ainda que não seja exatamente o foco do carro, ele se mostrou bastante econômico: a média nos cerca de 600 km percorridos durante a avaliação do AUTOPOLIS foi de 11 km/l, considerando trajetos envolvendo trânsito pesado e vias livres e também alguns momentos de “pé na tábua”. Em velocidade de cruzeiro, o consumo instantâneo apontava 17 km/l, números excelentes para um carro cuja proposta é acelerar e se divertir.

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E, por falar em acelerar, mesmo no modo econômico (selecionado por meio do Audi Drive Select), o Audi TT é um carro de reações rápidas. Uma vez no modo Dynamic (que afeta respostas do motor, câmbio e direção), o modelo se transforma: o escapamento emite um som borbulhante a cada troca de marcha, o câmbio “estica” as velocidades até o limite de giro, o esportivo dispara e a estrada fica estreita. Ainda assim, a rigidez do modelo ajuda a transmitir uma enorme sensação de segurança e de controle da situação.

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O mesmo se repete na hora de encarar curvas. Equipado com um sistema de vetorização de torque, o Audi TT pouco lembra o comportamento de um carro com tração dianteira: a frente não espalha e são raros os momentos nos quais o controle de estabilidade precisa intervir. Mérito também do sistema de suspensão (MacPherson na frente, four-link atrás), que possui ajuste firme, mas não em excesso Em velocidades maiores, a direção eletromecânica ganha peso e, em conjunto, com o volante de diâmetro reduzido e pegada perfeita como uma luva feita sob medida, ajuda a transmitir a sensação de controle.

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O Audi TT anda pregado no chão e, mesmo em mudanças mais bruscas de direção, a carroceria rola o mínimo do mínimo. Isso se traduz em segurança, conforto e diversão para o motorista. Nesse último quesito, não será raro pensar que o modelo oferece muito mais do que um simples mortal pode aproveitar, seja pela habilidade ao volante ou pela limitação das vias públicas. Nesse sentido, nossa recomendação aos donos do carro é simples: procure saber quando ocorre o próximo track day em algum autódromo da sua região e leve o modelo para lá para gastar, em doses similares, pneus e sorrisos. A satisfação é garantida.

Prós e contras

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Vale a pena?

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