Quando chegou ao Brasil, em 2011, a JAC Motors se popularizou rapidamente. Com uma grande campanha publicitária, estrelada por um famoso apresentador de televisão, a marca e seu produto de estreia, o JAC J3 nas versões hatch e sedã, logo caíram na boca do povo. A boa qualidade dos veículos novos acabou convencendo muitos críticos, mas a dúvida sobre como os carros estariam depois de alguns anos e muitos mil quilômetros rodados, só poderia ser respondida com o tempo.

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Anos após o desembarque no país, no melhor estilo “matando a cobra e mostrando o pau”, a marca chinesa disponibilizou para a imprensa especializada unidades do J3 com três anos de uso e mais de 100 mil quilômetros rodados. No caso do veículo avaliado pelo AUTOPOLIS, ele foi comprado de um cliente de Fortaleza (CE), que realizou todas as revisões planejadas e o trocou por outro JAC novo.

Quem cuida, tem

Em ótimo estado, o hatch revela que seu antigo proprietário era uma pessoa cuidadosa, e que, independentemente do carro ou da marca, cuidar bem e fazer a manutenção corretamente é imprescindível.

Externamente, não há danos na pintura, amassados ou pontos de corrosão. O alinhamento de portas e capô segue o que veio de fábrica e o policarbonato das lentes de faróis e lanternas estavam em ótimo estado, sem apresentar pontos opacos ou foscos.

As boas condições se repetiram no interior, que estava surpreendentemente bem conservado. Os bancos e outras forrações estavam impecáveis e os plásticos não apresentavam deformações e desalinhamentos. Nem mesmo os locais de grande manuseio, como volante, manopla do câmbio, maçanetas, comandos e acionadores, apresentavam desgaste anormal ou descascados. Ao contrário, tudo estava em bom estado, como era de se esperar de qualquer seminovo independentemente da marca.

Carroceria em bom estado não apresentava danos ou corrosão

Bem rodado

Em movimento, o J3 também se mostrou inteirão. Salvo alguns pequenos rangidos, o baixo nível de ruídos da cabine e as boas condições de rodagem chamaram a atenção positivamente. Que “pequenos rangidos” eram esses? As portas traseiras faziam um pouco de ruído quando o carro passava por trechos com piso bem castigado. Notamos que estavam apenas desreguladas, algo fácil de resolver. Volante e o pedal da embreagem também apresentavam pequenos rangidos, mas estes poderiam ser resolvidos facilmente em uma revisão normal.

Fora isso, o motor funcionava bem e com bom fôlego, mostrando que os mais de 100 mil quilômetros rodados não haviam provocado desgaste anormal. Não grilava, não soltava fumaça e o nível de fluidos não baixou durante o teste.

Embreagem e câmbio também apresentava boas condições de funcionamento, com engates fáceis, sem ruídos ou trepidações.

Durante o teste, que durou uma semana, por três vezes tivemos dificuldades em dar partida. O J3, sempre muito bem disposto e pegando logo na primeira “triscada” da chave, em três ocasiões exigiu varias tentativas até o motor pegar. Em contato com o fabricante, este alegou que poderia ser problema com combustível, o que era plausível. Contudo, numa futura revisão seria necessário passar o scanner e fazer uma verificação cuidadosa para detectar se era só uma indigestão pelo combustível ruim ou se era algum componente que já estava começando a ficar cansado e pedindo reposição. Como o problema aconteceu apenas três vezes durante uma semana de uso intenso, seguimos com a avaliação normalmente, sem recolher o carro para análise. Mas o fato foi levado a conhecimento da JAC Motors, que ficou de nos responder após revisar o veículo.

O J3 foi levado a Lommar Auto Center, em Campinas (SP), para inspeção

Análise do especialista

Na sequência, AUTOPOLIS levou o JAC J3 para a Lommar Auto Center, em Campinas, que atua há mais de 30 anos no mercado. O objetivo, além da opinião técnica, era comprovar que o carro não havido sido “preparado” pela marca chinesa para ir bem no teste. Tudo se mostrava original e nada foi encontrado que indicasse algum mascaramento de eventuais falhas.

O proprietário da oficina, Angelo Marretti, fez um teste de rodagem inicial onde detectou o que já havíamos percebido também, como os pequenos rangidos nas portas, embreagem e volante. “Simples questão de manutenção, nada grave. E são rangidos fracos, que não chegam a incomodar” – disse Marretti.

O profissional também notou as boas condições de rodagem e chamou a atenção para o bom funcionamento do sistema de direção com assistência hidráulica: “não há folgas, nem ruídos anormais e o volante retorna normalmente”. A questão do volante retornar é importante, pois pode indicar desde um simples problema de alinhamento até falhas mais graves em componentes da suspensão ou nas longarinas do carro.

Após o teste em movimento, o carro foi colocado no elevador para uma verificação cuidadosa.

A carroceria não mostrava pontos de corrosão ou deformações. As suspensões não apresentavam danos ou desgaste anormal. Buchas e terminais foram verificados e não tinham sinais de ressecamento ou folgas, o que justificava parte do baixo nível de ruídos ao rodar.

Visão inferior: sem marcas de vazamentos, corrosão ou deformações

Os freios também estavam em bom estado, com as pastilhas com mais de meia vida pela frente e discos em boas condições. Não foi possível saber quando as pastilhas foram substituídas, mas provavelmente, foi feita numa das revisões programadas.

No motor, o cárter mostrava sinais de que havia sido removido, provavelmente para troca da bomba de óleo. O serviço foi bem realizado, com as vedações preservadas, em nada prejudicando a vida útil do motor.

A tampa do reservatório de fluido da direção hidráulica estava suja de óleo, indicando um pouco de vazamento, contudo, o nível do líquido não havia baixado. Simples troca da tampa, uma peça barata, resolveria o problema.

“O que surpreendeu nesse carro, com 102 mil quilômetros rodados, é que dirigibilidade dele está perfeita, a retornabilidade de direção e o nível de ruídos da suspensão, tudo dentro da normalidade. Alguns ruídos pontuais precisariam ser verificados, mas percebe-se não ser nada grave, apenas manutenção.”, concluiu Marretti.

Acabamento em bom estado, sem deformações, desalinhamentos ou desgaste anormal

Conclusão

O JAC J3 avaliado mostrou que o chinês encara o tempo com boa saúde, da mesma forma que se espera de um carro de qualquer outro fabricante. A ideia de que os carros da marca sejam frágeis ou mais vulneráveis não se comprovou, ao menos em nossa avaliação. No caso da JAC, também interfere positivamente a maneira como o próprio Sérgio Habib, importador, se envolve com o desenvolvimento dos produtos.

No mercado de usados é possível encontrar JAC J3 2012, como a unidade avaliada, com preços entre 19 e 25 mil reais, uma desvalorização um pouco alta, mas que pode proporcionar boas oportunidades para quem quer um usado bem equipado por um preço acessível.

Por fim, reiteramos o que já dissemos sobre conservação automotiva: o que determina a vida útil de um carro e suas boas condições de uso são os cuidados com a manutenção e no uso cotidiano. Nenhum carro, de nenhuma marca, sobrevive ao desleixo e ao descaso. No caso específico do JAC J3, um exemplar bem conservado e com 3 anos de garantia remanescentes, pode ser, sim, um bom negócio.

 

Agradecimento:
Lommar Auto Center
Carolina Florence, 1686
Jardim Guanabara, Campinas – SP
CEP 13073-076
Telefone:(19) 3213-2939